quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cessacionismo X Continuísmo


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Dentro da Pneumatologia (doutrina do Espírito Santo) o assunto mais polêmico e de maior debate é acerca dos dons espirituais. Os dons miraculosos ou dons sobrenaturais cessaram, ou continuam em nosso dias?

Dentro desse assuntos temos duas grandes teorias, que posteriormente possuem mais alguns grupos internos que divergem entre si, mas todos derivam desses dois grandes grupos. De um lado o cessacionismo do outro o continuísmo.

Cessacionismo:é a visão cristã de teólogos reformados e batistas fundamentalistas, geralmente de origem puritana. Formulam que alguns dons do Espírito Santo foram úteis apenas para os primórdios da igreja cristã, tendo cessado essa manifestação no período da Igreja Primitiva. 1

Entendem os cessacionistas que tais e restritos dons serviram a um propósito, a fundação da Igreja Primitiva, em momento que os Apóstolos teriam que cumprir o ide sem possuir qualificação de doutores e mestres. O encerramento do livro (Bíblia) teria fechado toda a profecia fora da palavra.

Continuísmo:é a crença de que os dons do Espírito Santo são ainda distribuídos hoje, ainda estão em uso, e ainda são necessários na igreja. O mesmo Espírito Santo que habitava o apóstolo Paulo e presenteou-o com habilidades sobrenaturais e que estava presente durante os tempos do Antigo Testamento e também dotado tais habilidades aqueles a quem Deus escolheu especificamente para realizar as suas obras em tempos do Novo Testamento. O continuísmo acredita que este mesmo Espírito ainda se move e trabalha na igreja contemporânea.


Motivos pelo qual creio no Cessacionismo:

1) O cessacionismo é a posição que mais glorifica a Deus. No cessacionismo não há espaço para o homem. No pentecostalismo e todas as suas derivações, a atenção é voltada para o homem. O homem possui os dons espirituais; o homem possui o poder da cura; o homem tem o dom da fé; o homem tem o dom de línguas e etc. Não somente os dons são reconhecidos, mas revestidos de uma importância exagerada, tal que os fiéis são continuamente instados a buscá-los; por sua vez, aqueles que alegadamente recebem tais dons ocupam uma posição de destaque, reconhecimento e até mesmo de veneração. Assim toda a atenção está centrada no homem! Sim, existe “fé”, mas trata-se de uma “fé” cega e antropocêntrica. 2

2) Sola Scriptura – O encerramento do cânon bíblico torna-se desnecessário portadores de revelações novas, tendo em vista que toda a revelação pertinente ao nosso salvador Jesus Cristo e sobre a salvação foram totalmente reveladas. Tudo o que uma pessoa precisa saber para ser salva encontra-se escrito na Bíblia. A Bíblia é assim, totalmente infalível como plenamente suficiente não necessitando de ajustes ou de novas revelações.

Os dons sobrenaturais atuaram como selo de autenticação para os primeiros séculos da igreja, como forma de comprovar que aqueles homem encarregados em proclamar o Evangelho das boas novas eram de fato enviados de Deus.

3) Evidências Históricas – A história da igreja nos aponta para a descontinuidade dos dons sobrenaturais. Por maior que sejam os relatos miraculosos que possuímos em nossos dias, eles têm sido normalmente associados com cultos místicos e com ênfase no emocional e centrados no homem.

Até mesmo na própria Escritura Sagrada podemos observar uma descontinuidade pelos relatos dos milagres feitos pelos apóstolos, se buscarmos esses relatos veremos apenas em Atos os devidos registros. Sobre o livro de Atos ele não é um livro normativo para a Igreja, e sim de transição. Abaixo os registros:
Coxo curado por Pedro
At 3.6-9
Morte de Ananias e Safira
At 5.1-10
Restauração da vista de Saulo
At 9.17,18
Cura de Elimas
At 9.33-35
Ressurreição de Dorcas
At 9.36-41
Cegueira de Elimas
At 13.8-11
Cura de um coxo
At 14.8-10
Expulsão de demônio de uma jovem
At 16.16-18
Ressurreição de Êutico
At 20.9,10
Picada de cobra torna-se inócua
At 28.3-5
Cura do pai de Públio
At 28.7-9

4) O caráter temporário de alguns dons.

Conforme observamos em 1 Co capítulos 12, 13 e 14, fica claro que alguns dons passarão (1Co 13:8). O dom de apóstolo, a grande maioria das congregações admitem que esse dom cessou. Portanto, fica claro o caráter temporário de certos dons do Espírito Santo.

5) O exercícios de “dons” fora do propósito Bíblico.

Sem dúvidas o dom sobrenatural mais debatido em nossos dias é o dom de línguas, pegarei como base este para mostrar que os dons não são exercidos em nossos dias de acordo com os propósitos bíblicos para eles. Portanto não podem ser validados como dons legítimos.

"De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis" (1 Co 14.22).

O dom de línguas era para alcançar os incrédulos.

"E se alguém falar em língua estranha, faça-se isso por dois, ou quando muito três" (1 Co 14.27a).

Falam um de cada vez ou todos juntos? "...e por sua vez" (1 Co 14.27b).

"...e haja intérprete. Mas se não houver intérprete, esteja calado na igreja" (1 Co 14.27c).

Deve existir interpretação simultânea.

"As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar" (1 Co 14.34).

As mulheres não devem exercer esse dom em culto público.

O que temos visto nas igrejas? Elas observam essas regulamentações que Paulo orienta?

Paulo realmente considera a Igreja de Corinto como irmãos em Cristo, mas existe a evidência de que eram dons legítimos, pois Paulo nos assegura isto. Mas hoje em dia não creio que podemos considerar que os dons exercidos possam ser afirmados como legítimos, pois as orientações de Paulo estão todas registradas de maneira muito clara neste texto de 1 Coríntios capítulo 14, texto este que todos temos o livre acesso.

Tendo em vista que a grande característica de alguém cheio do Espírito Santo é a obediência a Palavra de Deus, sou compelido a não crer que o Cristo transmitido nessas congregações é o mesmo Jesus Cristo das Escrituras Sagradas. Pois elas simplesmente desprezam as orientações específicas de Paulo sobre um único dom.

Obviamente não quero ser injusto em afirmar que todas as igrejas que praticam línguas estão enquadradas nessa afirmação, mas tendo em vista as que possuo conhecimento, percebo um culto centrado totalmente no homem, onde é criado uma atmosfera emocional e atrativa para “manifestações” de todos os tipo, onde sequer posso considerar como línguas estranhas ou estrangeiras, e sim, não passa de mera glossolalia.


Creio existir muita confusão sobre dons e milagres, eu creio que milagres acontecem todos os dias. Tendo em vista o estado depravado do homem, toda a vez que alguém reconhece sua condição de pecador e se agarra em Cristo para a salvação, para mim é um grande milagre.

Creio também que Deus realiza milagres de curas através da oração, desde que seja a vontade de Deus que isso aconteça. Creio nos profetas que todos os domingos transmitem e expõem a Palavra de Deus simples e pura pelos púlpitos ao redor do mundo.

Mas não creio ser necessária nenhuma outra manifestação miraculosa além da maior de todas, o milagre da Bíblia, o milagre de Deus ter se revelado a nós e toda essa revelação estar disponível para que aprendamos sobre Ele, para que conheçamos a Ele e através Dele obtermos salvação.

Em Cristo

Fernando.


1Augustus Nicodemus Lopes; O culto espiritual: Um estudo em 1 Coríntios Sobre Questões Atuais e Diretrizes Bíblicas para o Culto Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, Pág. 174 e 177
2Felipe Sabino de Araújo Neto; www.monergismo.com, Cessacionismo e a Glória de Deus

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Seria o "cessacionismo" uma teoria humana, derivada do raciocínio humano desprovido de respaldo bíblico ?

    Leia os textos abaixo, dê sua opinião.

    Os então denominados Cessacionistas, com base em suas experiências de "ausência" de milagres e outros dons advindos do Espírito Santo de Deus, formulam que os dons do Espírito Santo, foram úteis apenas para os primórdios da igreja cristã, tendo cessado essa manifestação no período da Igreja Primitiva. Ora se foram úteis...

    Mas como havia postulado. Essa “experiência de ausência” de milagres dos cessacionistas, não pode ser firmada como uma verdade absoluta, uma vez que sendo “experiência”, se valem do mesmo princípio e raciocínio a que aplicam para contestarem o continuísmo.

    Concluem que, experiências pessoais não servem como prova que de fato, um milagre acontecera, pois aquele que ouve o testemunho milagroso, precisaria crer naquele que conta o ocorrido. É bem verdade que nenhuma experiência pessoal deva tomar lugar das escrituras, mas também é verdade que ninguém daria ouvidos a palavras de um Deus que somente se ouviu falar dEle, sem jamais ter visto o que Ele fez. Mas alguém poderia dizer muito antes que eu terminasse de escrever a ultima frase desse texto. "Deus criou o universo, você não vê ?" Como sabe disso, por fé ou experiência pessoal ?

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  3. Cessacionistas tem como base, para defesa de que os milagres e outros dons do Espírito Santo de Deus cessaram, apenas a experimentação de "ausência" destes milagres e dons, o que não deixa de ser uma experiência, mas negativa. Não é uma boa argumentação, nem de longe. Veja porque.

    Alguém jamais poderá dizer que gosto tem um suco de "mangaba", sem jamais, tê-lo experimentado. Quem provou, tentará de algum modo descrever o gosto daquele fruto, isso com base em sua experiência feita na degustação. Mas quem não provou, jamais saberá de fato, que gosto tem, ainda que veja aquele fruto que dera origem ao suco.

    É concordado e sabido dentre os estudiosos (e estou de acordo) que nenhuma interpretação teológica pode partir da “experiência" e vivência de um indivíduo, senão pelo estudo minucioso dos textos sagrados, tendo como boa ferramenta de estudo a exegese e a hermenêutica bíblica.

    Mas estou certo de que a experimentação e a não experimentação, ambas são empíricas quando descrevemos o resultado de cada uma delas. Logo os CESSACIONISTAS erram feio, quando acusam aqueles que creem no continuísmo.

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  4. Podemos nos valer de muitas fórmulas e modos práticos (pessoal) ao realizarmos algum cálculo matemático, porém, o modo prático a que utilizamos para resolvermos tais questões, não implica na alteração do resultado; com base nisso, quero dizer que, a não experimentação é uma experiência (de ausência), de igual modo a experimentação é evidenciada pela a “experiência” daquele que prova o milagre, ou daquele que não prova.

    Vivemos os últimos dias da "Era Cristã", assim por dizer, quando precisamos tanto das evidências da operação dos milagres do Espírito Santos de Deus (e que mal há nisso ?) E Cristo ou Deus, jamais foram evidenciados apenas pelo que falavam, mas também pelas inúmeras operações de milagres, está escrito em toda bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, só se ver milagres acontecendo. Sim, temos consciência de que essas operações miraculosas não "a salvação eterna", mas evidências concretas de que Existe um Salvador. Alguns pretendem por fim á essa dádiva dos céus, pondo em descrédito as passagens de Marcos 15:16.

    O empirismo é uma teoria do "conhecimento", que afirma que todo conhecimento vem apenas ou principalmente, a partir da experiência sensorial. A ausência de “experimentação” é sensorial ou não?

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  5. Esse pensamento puritano descabido tem nome, "incredulidade". Consultei a minha bíblia, não encontrei uma virgula que afirmasse esse neologismo a que pregam meus irmãos CESSACIONISTAS, puritanos e empiristas.

    Também é verdade que alguns abusam dessa dádiva de Deus. Lucram com as bênçãos advindas dos céus, escandalizam a igreja que é o corpo de Cristo, mas nem só por isso os milagres haveriam de cessar. Ou tem poder nas palavras daqueles que escarnecem do Filho de Deus e do Reino Eterno estabelecido por Ele ?

    Não e nunca !

    by robson barreiros

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  6. O homem quer milagres e curas e Deus tudo pode e ainda pode fazer o que quiser,mais o maior milagre é a morte e ressurreição de Cristo para o pecador arrependido.Salvacão em Jesus maior milagre.

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  7. "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar".
    Atos 2:39

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