quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu amo os teus Mandamentos



Deleitar-me-ei em teus mandamentos, os quais eu amo.
Salmos 119.47

Em companhia da liberdade e da coragem vem o deleite. Quando tivermos cumprido nosso dever, acharemos uma grande recompensa nele. Se Davi não houvera falado por seu Senhor diante dos reis, teria tido medo de meditar na lei que negligenciara; mas depois de falar por seu Senhor ele sentia a suave serenidade de coração, quando pondera sobre a Palavra.
Obedeça ao mandamento, e então você o amará; suporte o jugo, e ele será suave e o descanso procederá dele. Depois de falar da lei, o salmista não se cansava de seu tema, mas retirou-se para meditar nele. Depois de discursar, ele se deleitava; depois de pregar, ele recorria a seu estudo para renovar sua força, nutrindo-se uma vez mais da preciosa verdade. Quer deleitasse outros quer não, quando falava, nunca deixava de deleitar-se enquanto ponderava sobre a Palavra do Senhor.
Ele declara que amava os mandamentos do Senhor; e através de sua confissão ele revelava a razão de deleitar-se neles — onde nosso amor está, aí está nosso deleite. Davi não se deleitava nas cortes dos reis, pois ali encontrava ocasiões de tentação para envergonhar-se; nas Escrituras, porém, era como estar em casa; seu coração estava nelas, elas eram seu supremo prazer. Não surpreende que falasse de guardar a lei, a qual amava. Disse Jesus:
"Se alguém me ama, guardará minhas palavras." Não surpreende que falasse de andar em liberdade e falar ousadamente, pois o genuíno amor é sempre livre e destemido. O amor é o cumprimento da lei; onde o amor pela lei de Deus reina no coração, a vida se enche de bem-aventurança. Senhor, que tuas misericórdias nos encontrem, para que possamos amar tua Palavra e teu caminho, e para que encontremos neles todo nosso deleite.
O versículo está no tempo futuro, e daí ele expressa, não só o que Davi fizera, mas o que ele pretendia fazer; ele queria oportunamente deleitar-se nos mandamentos de seu Senhor. Ele sabia que eles não podem ser alterados, nem deixar de produzir nele alegria. Ele sabia também que a graça o guardaria na mesma condição de seu coração amar os preceitos do Senhor, de modo que, ao longo de toda sua vida, desfrutaria de supremo deleite na santidade. Seu coração estava tão fixo no amor para com a vontade de Deus, que tinha certeza de que a graça sempre o sustentaria sob sua deleitosa influência.
Todo o Salmo é uma constante expressão de amor pela Palavra; aqui, porém, pela primeira vez, ele é verbalmente expresso. Ele aqui se acha associado ao deleite; e no versículo 165, à "grande paz". Todos os versículos em que o amor se expressa em tantas palavras são dignos de nota. Veja os versículos 47, 97, 113", 119, 127, 140, 159, 163, 167.
 
Charles H. Spurgeon

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O homem natural odeia a Graça




O teor do evangelho gira em torno do fato de que o homem está morto em seus pecados, e que a vida eterna é um dom de Deus, e se colocaria contra a totalidade deste teor básico do evangelho quem defendesse que o homem pode conhecer e amar a Cristo sem a atuação do Espírito Santo. O Espírito Santo encontra os homens tão desprovidos de vida espiritual, como aqueles ossos secos na visão de Ezequiel; o Espírito tem de juntar cada osso com seu osso, até reconstituir o esqueleto, e depois, vindo dos quatro cantos, precisa soprar sobre esses ossos mortos a fim de que recebam vida. A não ser pelo Espírito de Deus, as almas dos homens teriam de permanecer no vale de ossos secos, mortas, e mortas para sempre.

Mas as Escrituras não dizem apenas que o homem está morto em pecado; afirmam algo pior que isso: que ele, por natureza, é absoluta e totalmente contrário a tudo que seja bom e reto. "Portanto a intenção da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser" Rom. 8:7. Folheemos as páginas da Bíblia e continuamente é repetido que a vontade do homem é contrária às coisas de Deus. Que disse Cristo naquele texto tão freqüentemente citado pelos arminianos para negar a doutrina que tão claramente afirma? Que disse Ele aos que imaginavam ser possível ao homem vir a Ele sem a influência divina? Primeiramente afirmou: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer". Entretanto, disse algo ainda mais enfático: "E não quereis vir a mim para terdes vida".

O homem não quer vir. Aqui se encontra a coisa fatal; não é apenas que o homem se encontra sem forças para fazer o bem, e sim que é suficientemente poderoso para fazer o mal, de modo que a sua vontade está perversamente disposta a ir contra tudo que é reto. Vá, arminiano, e diga a seus ouvintes que eles podem vir a Cristo, se assim o desejam, mas saiba que o seu Redentor o observa face a face e lhe diz que você está proferindo uma mentira! Os homens não querem vir. Nunca virão por si mesmos. Ninguém pode induzi-los a vir, nem mesmo forçá-los a vir com todas as suas ameaças, nem seduzi-los com todos os seus convites. Eles não querem vir a Cristo para terem vida. Até que o Espírito os traga, não quererão vir, nem poderão vir.

E é pelo fato de que a natureza humana é hostil ao Espírito de Deus, que o homem odeia a graça, despreza a maneira pela qual se oferece esta graça, e é contrário à sua natureza orgulhosa o humilhar-se para receber a salvação pelos méritos de outro. Daí, pois, surge a necessidade de que o Espírito opere diretamente no homem para mudar a sua vontade, corrigir as inclinações do seu coração, e depois de colocá-lo no caminho certo, dar-lhe forças para andar nele. Oh, se todos estudassem o homem e chegassem a compreendê-lo, não poderiam deixar de ser zelosos nesta doutrina da necessidade da obra do Espírito Santo! Com razão um grande escritor observou que jamais conheceu um homem que sustentasse algum erro teológico, que ao mesmo tempo não mantivesse alguma doutrina que atenuasse a depravação humana.

O arminiano diz que é verdade que o ser humano está espiritualmente caído, todavia acrescenta que ele ainda possui o poder da vontade e essa vontade é livre; ele pode levantar-se. Atenua-se dessa forma o caráter desesperador da queda do homem. Por outro lado, o antinomiano afirma que o homem não é responsável, pois nada pode fazer; por conseguinte não está obrigado a fazer nada. Não é sua obrigação crer, nem é sua obrigação arrepender-se. Vemos aqui que ele também atenua a condição pecaminosa do homem e lhe faltam idéias corretas a respeito da Queda. Entretanto, uma vez mantida a posição verdadeira, ou seja, a de que o ser humano não só está completamente caído, perdido e condenado, e sim também de que é culpado e por si mesmo impotente, então necessariamente você adotará a posição doutrinária correta em todos os demais pontos do grande evangelho do Senhor Jesus. Desde que se creia o que as Escrituras ensinam sobre o homem -posto que se aceite que o seu coração é depravado, seus afetos corrompidos, seu entendimento obscurecido e sua vontade pervertida, então você terá de sustentar que, se uma pessoa assim tão miserável há de ser salva, essa salvação deverá ser efetuada pelo Espírito de Deus, e por Ele somente.
 
Charles H. Spurgeon

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Você receia o pecado e teme a morte?





Pelo fato de Jesus ter ido adiante de nós, as coisas não ficariam como ficaram, se Ele nunca tivesse tomado aquele caminho. Ele venceu cada inimigo que obstruía a passagem. Entusiasme-se agora, guerreiro de coração desfalecido. Não somente Cristo palmilhou a estrada, Ele também destroçou seus inimigos.
Você receia o pecado? Ele for pregado na cruz. Tem medo da morte? Ele foi a morte da Morte. O inferno apavora-o? Ele bloqueou-o contra a chegada de qualquer de seus filhos; eles nunca verão o golfo da perdição. Quaisquer inimigos que possam estar diante do cristão serão subjugados.
Há leões, mas suas presas estão quebradas; há serpentes, mas suas presas foram extraídas; há rios, mas eles têm pontes e são vadeáveis; há chamas, mas usamos aquela inigualável vestimenta que nos torna invulneráveis ao fogo. A espada que foi forjada contra nós já está sem corte; os apetrechos de guerra que o inimigo está preparando já perderam sua ação.
Deus removeu na pessoa de Cristo todo poder que qualquer coisa possa ter para ferir-nos. Pois bem, o exército pode marchar em segurança, e você pode ir alegremente no curso da sua jornada, pois, todos os inimigos estão vencidos antecipadamente.
O que fará você, senão marchar para tomar sua presa? Eles foram batidos, foram vencidos; tudo o que você tem a fazer é dividir o espólio. Na verdade, muitas vezes você estará envolvido em combate; mas sua luta será com um inimigo derrotado. A cabeça dele está quebrada; ele pode tentar machucá-lo, mas não terá força suficiente para lograr êxito em seu intento maligno. A vitória da cristão será fácil, e seu tesouro estará acima de qualquer avaliação.

Charles H. Spurgeon

domingo, 27 de maio de 2012

Ameis uns aos outros


João 13:34-35
Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.


sábado, 26 de maio de 2012

Deseje ser o menor



“A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo”. 
Ef. 3:8
O Apostolo Paulo sentia que era para ele um enorme privilégio poder pregar todo o evangelho. Não olhava para seu ministério entre os gentios como algo penoso e árduo, mas penetrou nele com enorme entusiasmo e espontaneidade. No entanto, Paulo por muito agradecido que estivesse quanto ao seu novo ofício, seu sucesso sempre lhe seria uma humilhação.

Quanto mais cheio estiver um vaso, mais fundo se tornam suas águas. Pessoas vãs podem mesmo ser indulgentes nesta questão de conceitos e preconceitos sobre habilidades, pois nunca são provados pelas mesmas. Mas qualquer obreiro sério e seriamente locomovido, logo aprende a arte das suas próprias fraquezas. Caso busque ser humilde, experimente trabalhar arduamente. Quando conseguir considerar sua inutilidade total, tente então fazer algo grandioso por Jesus.

Se sentir que é completamente inoperante, será porque está separado de seu Deus por inteiro. Experimente em especial pregar as riquezas deste evangelho em Cristo e logo saberá quão pequeno e insignificante você é realmente, mediante tão enorme grandiosidade diante de si. Sendo o apóstolo conhecedor de suas próprias incapacidades e as confessasse aos sete ventos da terra, estava perplexo quanto a ser objeto de tão grande ministério. Desde seu primeiro sermão até ao seu ultimo, Paulo pregou apenas Cristo e nada mais que Cristo.

Ele elevou bem alto a cruz, exaltando o Filho de Deus sobre ela. Siga seu exemplo em todos os seus mais remotos sacrifícios, para que seja espalhada a mensagem de Cristo e que “Cristo crucificado” seja também seu único tema e motivo de seu discurso. Todo crente deveria ser como aquelas flores de primavera as quais, quando sai o sol, abrem suas pétalas douradas como que dizendo “Enche-nos com teus raios de luz e crescimento”. Mas quando o sol se esconde por detrás duma nuvem que passa, elas encerram seu esplendor e baixam suas cabecinhas.
Assim deveria qualquer crente sentir a doce influência de Cristo em toda a sua vida. Jesus tem necessariamente de ser seu sol na totalidade e você como uma flor que acolhe sem preconceitos todos os seus raios de Justiça. Ó, só o falar de Cristo, esse é o tema real o qual é sempre “semente ao que semeia e pão para quem come” 2Cor 9:10. Este é aquela brasa de fogo vivo que recai sobre os lábios de quem se pronuncia, a chave mestra do coração de todo o ouvinte.

Charles H. Spurgeon

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Deus não faz promessa a Covardia!



Se você permitir que o temor do homem o governe e desejar se salvar do sofrimento ou ridículo, encontra pouco conforto na promessa de Deus: "Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá" (Mt 16.25). As promessas do Espírito Santo para nós, em nossa guerra, são para aqueles que se portam como homens e pela fé são tornados corajosos na hora do conflito. Desejo que cheguemos a esse ponto, desprezando o ridículo e a calúnia.


         Ah, esquecer de si mesmo como aquele mártir italiano de quem Foxe fala! Condenaram-no a ser queimado vivo, e ele ouviu a sentença calmamente. Mas queimar mártires, por mais deleitável que seja também é caro; e o prefeito da cidade não tinha interesse em pagar pela lenha, e os sacerdotes que o haviam acusado também queriam fazer o trabalho sem ter despesa. Por isso, tiveram uma briga feia, e lá estava de pé e quieto o pobre homem para quem essa lenha era destinada, ouvindo as mútuas recriminações daquelas autoridades. Vendo que não podiam resolver o assunto, ele disse: "Senhores, acabarei com sua disputa. É pena que qualquer dos senhores precisem gastar tanto com lenha para me queimar, assim, por amor a meu Senhor, pagarei pela lenha que me vai queimar, se me permitem."


         Eis um lindo exemplo de escárnio, bem como de mansidão. Não sei se teria pago aquela conta; mas tenho me sentido inclinado a sair um pouco do caminho para ajudar os inimigos da verdade, para que encontrem combustível para suas críticas contra mim. Sim, sim; serei ainda pior, lhes darei mais para reclamar. Por amor a Cristo, vou até o fim com a controvérsia e nada farei para aquietar a ira deles. Irmãos, se vocês adornarem um pouco, se tentarem salvar um pouco de sua reputação junto aos homens da apostasia, isso é ruim para vocês. Aquele que se envergonha de Cristo e de sua Palavra nesta geração má verá que, no fim, Cristo se envergonha dele.

Charles H. Spurgeon

segunda-feira, 21 de maio de 2012

As doutrinas da graça seguram o homem!



Salvação é referida na Bíblia como uma dádiva. "Graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (2 Tim. 1:9). Isto deveria nos manter humildes. Não podemos ser orgulhosos de algo que nos foi doado. O texto não nos diz: "a qual Ele nos vendeu", ou "nos propôs", mas "a qual nos foi dada". Portanto, nossa salvação é exclusivamente o dom da graça de Deus.

"Nos foi dada em Cristo Jesus". A graça de Deus vem a nós através de Cristo Jesus. Paulo afirma: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gal. 6:14). Salvação é um dom da graça.

Deus nos deu esta graça "antes dos tempos dos séculos". Deus vivia sozinho antes do mundo começar. Nós ainda não existíamos, portanto não podíamos fazer nada pela nossa salvação. Deus já reinava então, assim como Ele reina agora. Ele não tomou conselho de homem ou anjo porque nada até então havia sido criado. Ele nos deu salvação antes da fundação do mundo para que a nossa salvação pudesse ser totalmente pela graça, através de Jesus Cristo.

Você, meu amigo, pode não gostar do ensino do texto, mas creio que dei o verdadeiro significado dele. Peço que aceite o que Deus diz.

Vou tentar agora mostrar como o ensinamento deste texto pode ser usado por nós. Ele pode afetar a nossa maneira de viver. Creio que a doutrina da graça é tão cheia de poder hoje quanto no passado. Ela dá coragem ao homem que a recebe. Paulo exorta a Timóteo que não deve envergonhar-se. Deus lhe deu graça em Cristo Jesus antes da fundação do mundo.

Um homem pode ser muito pobre em bens materiais. Este mesmo homem pode ser rico espiritualmente se ele conhece a graça de Deus. O nome de uma pessoa pode não estar nos livros de história do mundo, entretanto o nome do crente foi registrado no livro de Deus antes do início dos tempos. O homem que nisso crer será forte quando tiver que travar a batalha do Senhor. Os que crêem na livre graça de Deus têm confiança. Não têm medo. Eles sabem no que crêem. Até nossas crianças, às quais são ensinadas as doutri¬nas da graça, sabem mais do que muitos adultos. Muitos não sabem no que crêem, pois eles ouvem pregações que não os ensinam realmente a verdade de Deus. Se uma pessoa recebeu as doutrinas da graça ela se apegará firmemente a elas. As doutrinas serão muito queridas a essa pessoa, e ela estará preparada a morrer pelas verdades que crê.

Estas doutrinas da graça dão ao homem algo em que se segurar. Por outro lado, as doutrinas da graça seguram o homem! A pessoa que crê que a salvação vem de Deus e não do homem jamais abandonará este ensinamento. Todas as outras doutrinas são como chão escorregadio onde alguém pode facilmente cair. Se a salvação é por esforço humano, como pode você saber se seu esforço é suficiente? Se você tiver seus pés firmes nas doutrinas da graça não precisa ter medo de cair. Este fundamento é bem firme e o suportará. Apeguemo-nos firmemente à verdade do propósito eterno de Deus em Cristo Jesus antes do início dos tempos.

Este ensinamento da doutrina da graça desmascara os falsos ensinamentos. A doutrina da graça é a verdade que Deus usa para sacudir os portões do inferno. Nos tempos quando a Igreja de Deus foi perseguida, os cristãos arriscaram suas vidas para ouvir esta verdade. Quando não era permitido que os cristãos se encontrassem em igrejas, eles se encontravam à noite em lugares secretos. Não tinham medo desde que pudessem ouvir a doutrina da graça de Deus. Eles correriam o risco de serem mortos se tão-somente pudessem ser alimentados pela pregação desta doutrina, a qual amavam. Quando o erro é pregado em tantos lugares, isto deve ser contra-atacado pela pregação das doutrinas da graça. Os inimigos de Deus não serão capazes de resistir a estas verdades.

Charles H. Spurgeon

domingo, 20 de maio de 2012

[Conexão] – Dízimo: Voluntário ou Obrigatório?



sábado, 19 de maio de 2012

O Amor Incondicional de Cristo


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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mateus 24:35 - Imagem


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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ame a sua Bíblia







A leitura diligente da Palavra de Deus freqüentemente gera vida espiritual. A nova vida é recebida através da Palavra de Deus; é o instrumento usado por Deus na regeneração. Ame a sua Bíblia, portanto. Não se afaste dela. Se você está buscando ao Senhor, seu primeiro dever é crer no Senhor Jesus Cristo; mas quando está abatido e nas trevas, ame a sua Bíblia, e examine-a... Tenha a Bíblia ao lado de sua cama, e, ao despertar pela manhã, se for cedo demais para andar pela casa e acordar a família, aproveite uma meia-hora de leitura, ainda no quarto. Ore: "Senhor, guia-me até àquele texto que será uma bênção. Ajuda-me a compreender como eu, um pobre pecador, posso ser reconciliado contigo".

Lembro-me de quando eu, ao buscar o Senhor, recorria à minha Bíblia, e aos seguintes livros: Convite Para Viver, de Baxter, Um Guia Seguro para o Céu, de Alleine e Ascensão e Progresso, de Doddridge, porque dizia a mim mesmo: "Temo estar perdido, mas vou saber por quê. Temo que nunca acharei a Cristo, mas não será porque não O procurei". Aquele medo me atormentava, mas falei: "Vou achá-Lo, se Ele pode ser encontrado. Lerei. Pensarei". Nunca houve uma alma que, ao buscar sinceramente a Jesus, na Bíblia, não chegasse à verdade preciosa de que Cristo estava bem perto e acessível; que Ele realmente estava presente, só que ela, pobre criatura cega, estava tão confusa que simplesmente não conseguia vê-Lo naquele momento. Apegue-se às Escrituras. Elas não são Cristo, mas são a estrada que leva até Ele. Siga fielmente a orientação delas.


         Depois de receber a regeneração e a nova vida, continue lendo, pois será um consolo para você. Você perceberá melhor aquilo que o Senhor tem feito em seu favor. Você ficará sabendo que está redimido, adotado, salvo, santificado. Metade dos erros do mundo inteiro surgem porque as pessoas não lêem as suas Bíblias. Pode alguém pensar que nosso Senhor deixaria perecer um de seus filhos amados, depois de ter lido um texto tal como este: "Eu lhes dou [às minhas ovelhas] a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão"? Quando leio estas palavras, tenho certeza da perseverança final dos santos. Leia, portanto, a Palavra, e ela será motivo de grande consolo para você.


         Servirá para nutri-lo, também. É seu alimento, além de ser sua vida. Examine-a, e será fortalecido no Senhor e na força do seu poder.


         Ela servirá também de orientação. Tenho certeza que aqueles que vivem mais corretamente são aqueles que se mantêm mais perto do Livro. Freqüentemente, quando você não sabe o que fazer, verá um texto, como se saltasse de dentro do Livro, dizendo: "Siga-me". Às vezes, tenho visto uma promessa lampejar diante dos meus olhos, assim como uma propaganda fluorescente brilha no alto de um edifício. Ao abrir a Bíblia, uma frase ou um princípio se realça de imediato. Já vi um texto bíblico arder assim, como chama, até penetrar na minha alma; fiquei ciente de que se tratava da palavra que Deus dirigiu a mim, e prossegui pelo caminho, regozijando-me.
 
         Você receberá mil ajudas daquele Livro maravilhoso, se ao menos o ler; isso porque, ao entender melhor as palavras, você dará mais valor a ele, e, no decorrer dos anos, o Livro crescerá juntamente com você, e ficará sendo o manual de devoções do idoso, assim como antes era um livro de histórias para criança. Sim, sempre será um Livro novo — uma Bíblia tão nova, como se tivesse sido impressa ontem e como se ninguém tivesse visto uma só palavra dela até agora; e será tanto mais preciosa por causa de todas as lembranças que se reunirão ao redor dela. Ao virarmos com prazer as suas páginas, relembraremos eventos em nossa vida que nunca serão esquecidos por toda a eternidade, mas subsistirão para sempre, entrelaçados com promessas graciosas. Que o Senhor nos ensine a ler o seu Livro de vida, que Ele abriu diante de nós aqui, de modo que possamos ler claramente nossa participação naquele outro Livro de amor que ainda não vimos, mas que será aberto naquele último grande dia.

Charles H. Spurgeon

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Igreja na Pós-Modernidade


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Apesar de ainda existirem alguns remanescentes pré-modernos e modernos, estes últimos principalmente nas igrejas históricas, a grande maioria das pessoas, já se encontra sob a forma cultural pós-moderna, vale ressaltar que é uma cultura que atinge o mundo de uma maneira global, não somente dentro da igreja, porém nos manteremos sob uma perspectiva em cima da igreja ou movimento evangélico.

Com a grande mudança de pensamento, onde a razão passa a ser subjetiva e relativista, temos uma significativa mudança de cenário no movimento evangélico, onde destaca-se a enorme ênfase a movimentos destacados pelo individualismo, onde o culto a Deus, é trocado pelo culto ao individuo, o que antes era um encontro de crentes com o objetivo da centralidade de Deus no culto, com seus elementos destacados nas escrituras, estes são trocados pelo entretenimento, para que o individuo se sinta mais confortável e emocionado, pode-se evidenciar algumas introduções no movimento evangélico , como a chegada com muita força na época pós-moderna dos movimentos pentecostais e neopentecostais.

Com essa mudança na cultura do mundo, as igrejas foram sucumbidas, principalmente nas denominações neopentecostais, pela introdução de vários tipos de atração, diferentes das escrituras, a importância da experiência no culto, desprovida da interpretação das escrituras, onde a metodologia para leitura, histórica e gramatical, é descartada, muitas vezes o importante é adequação das escrituras as pessoas, e não o contrário, os pregadores dessas igrejas, preocupam-se muito mais com o pluralismo sincero dos corações, e interpretam a bíblia alegoricamente, por não achar necessário aprender o posicionamento de interpretação hermenêutico da escrituras.

Entre as coisificações dentro da Igreja, vemos a introdução iminente de musicas gospel, que em certos casos, nada tem de letras com teologia bíblica, incorporadas ao sistema de entretenimento, e onde os “crentes” cantam sem nem mesmo entender o significado das letras, por falta de importância e pela correnteza pós-moderna, época em que as pessoas buscam experiências fortes, e a musicalidade se encaixa nesse contexto, tendo em vista que a harmonia das músicas com o conhecimento das escrituras não é tão importante, a realidade é algo que sentimos, então porque seria errado cantar algo sem sentido, desde que faça bem e auxilie na proporção ideal de felicidade, este é o pensamento muitas vezes, o que importa é o que sentimos e não a razão, infelizmente esse pensamento absurdo pode muitas vezes ser tido como sincero, mas ele está sinceramente errado.

A espiritualidade bíblica, é mercadejada pelas experiências místicas e esotéricas, entram diversos ritualismos e crendices dentro da igreja evangélica, sem a mínima constatação do que aprovam ou desaprovam as escrituras, tendo em vista que desde que os princípios sejam politicamente corretos, pouco importam a maneira como muitas vezes serão alcançados, o perigo do pragmatismo entra em contraste com experimentos não bíblicos, simplesmente pelo sucesso alcançado e possivelmente surjam heresias contrárias aos ensinamentos bíblicos.

Outras formas errôneas de ensino são aderidas ao movimento evangélico com a cultura pós-moderna, a teologia da prosperidade e o teísmo aberto, onde no primeiro o cristão é medido pelas posses e qualidade de vida prospera, principalmente na área financeira, a vida do aqui e agora é a tida como real e importante, esquecendo-se de que existe ainda uma eternidade pela frente, são principalmente aderidas às massas, e são feitas como espécie de troca espiritual, onde o individuo é amenizado temporariamente em troca de sua contribuição financeira, poderíamos compará-los a médicos, que medicam clientes com câncer, mas que dão um remédio para gripe, então a medicação nunca funciona, e dentro destas aplicações geralmente são megaigrejas, onde o individuo, sequer aprende que precisa se arrepender e viver para gloria de DEUS, porque está tão preocupado consigo mesmo, que pouco importa o amanhã.

A intensificação de experiências dentro da igreja evangélicas, sem levar em conta a veracidade das escrituras, leva imediatamente o ensino de que todas as coisas ruins que acontecem é obra maligna do Diabo, deixando de fora muitas vezes o entendimento dos propósitos de Deus para com os problemas, pela motivação errada de que todo cristão tem que “determinar a sua vitoria”, ou quem não é próspero financeiramente não é um verdadeiro cristão, estes tem sido grandes problemas enfrentados com a pós-modernização das igrejas, o que em parte pode levar também a colaborar com um sério problema introduzido através do teísmo aberto, que é uma maneira que tentaram explicar o mal, isentando Deus dele.
Apesar dessa teologia no começo ter a intenção de ajudar, prejudicou muito mais do que ajudou, porque transforma o DEUS da bíblia, em um Deus impotente, que não pode mudar a historia ou os acontecimentos, um Deus que não é Soberano em todas as coisas, que não participa ativamente das coisas que acontecem no mundo, simplesmente pelo fato dEle abrir mão, em sua soberania de assim fazer, e apesar do mal, não ter sido causado por Deus, só com sua permissão pode acontecer, o que essa teologia propaga, de maneira geral é, que se Deus não pode impedir o mal de existir, é porque ele não é todo poderoso, para impedi-lo, ou Ele não interfere no que rege as leis naturais.

Todavia deve-se entender que mesmo que muitas situações possam não estar debaixo de total entendimento humano, mesmo assim Deus as controla, apesar das mudanças na cultura e que as estratégias e adaptações podem e devem levar em consideração estas mudanças, para que a Igreja continue relevante, alguns valores são inegociáveis e não podem ser colocados em segundo plano, em prol de agradar uma população extremamente narcisista e secularizada, devemos sim, nos adaptar em relação a costumes e mudanças, porem sem jamais comprometer a palavra de Deus, essa apesar de todas as mudanças culturais, políticas e sociais, permanecerá para sempre.

Glorias a Deus

Guinho

terça-feira, 15 de maio de 2012

Para Ele - Paul Washer


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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Como não só ler, mas meditar




Alguns trechos bíblicos ficam claros diante dos nossos olhos — pastos baixos e abençoados onde os cordeiros podem se alimentar; existem, no entanto, profundezas onde nossa mente poderia antes afogar-se do que nadar com prazer, se ela chegasse até lá sem cautela. Existem textos das Escrituras que foram feitos e construídos com o propósito de nos levar a pensar. Por esse meio, inclusive, nosso Pai celestial quer nos educar para o céu — fazendo-nos penetrar nos mistérios divinos com a nossa mente. Por isso, Ele nos oferece a sua Palavra de uma forma às vezes complexa, para nos compelir a meditar sobre ela, antes de chegarmos à sua doçura. Ele poderia ter explicado tudo de tal maneira que captássemos o pensamento num só minuto, mas não foi da vontade dEle fazer assim em todos os casos. Muitos dos véus que são lançados sobre as Escrituras não têm a intenção de ocultar o significado aos leitores diligentes, mas de compelir a mente a ser ativa, pois muitas vezes a diligência do coração em procurar saber a vontade divina faz mais bem ao coração do que a própria sabedoria obtida. A meditação e o esforço mental cuidadoso servem como exercício e fortalecimento da alma, que passa a ficar em condições de receber verdades ainda mais sublimes.


Precisamos meditar. Essas uvas não produzem vinho até serem pisadas por nós. Essas azeitonas precisam ser colocadas debaixo da roda, e prensadas repetidas vezes, para que o azeite flua delas. Olhando para um punhado de nozes, percebemos quais delas já foram comidas, porque há um buraquinho onde o inseto furou a casca — só um buraquinho, e lá dentro há uma criatura vivente comendo a noz. Ora, é uma coisa maravilhosa furar a casca da letra, para então ficar por dentro comendo a própria noz. Bem que eu gostaria de ser um vermezinho assim, vivendo dentro da Palavra de Deus, alimentando-me dela, depois de ter aberto caminho através da casca e ter chegado ao mistério mais interior do evangelho bendito. A Palavra de Deus sempre é mais preciosa para o homem que mais se alimenta dela.


No ano passado, sentado debaixo de uma faia nogueira que se estendia em todas as direções, e admirando aquela árvore tão maravilhosa, pensei comigo mesmo: Não tenho nem a metade da estima por essa faia do que o esquilo tem. Vejo-o, pulando de galho em galho, e tenho certeza que ele dá muito valor àquela velha faia, porque tem seu lar em algum oco dentro dela, os galhos são o seu abrigo, e aquelas nozes de faia são o seu alimento. Ele vive da árvore. É seu mundo, seu pátio de recreio, seu celeiro, seu lar; realmente, é tudo para ele; mas para mim, não, porque obtenho meu repouso e minhas refeições em outro lugar. No caso da Palavra de Deus, é bom sermos como esquilos, habitando nela e vivendo dela. Exercitemos nossa mente, pulando de galho em galho na Palavra; achemos nela o nosso repouso e façamos dela o nosso tudo. O proveito será todo nosso, se fizermos dela nosso alimento, nosso remédio, nosso tesouro, nosso arsenal, nosso repouso, nossa delícia. Que o Espírito Santo nos leve a fazer assim, tornando a Palavra tão preciosa à nossa alma!


Oração ao Autor da Palavra


Agora, quero fazê-lo lembrar que, para obter proveito da Palavra, teremos de orar. É uma coisa excelente sermos forçados a pensar, e coisa mais excelente ainda é ser forçado a orar pelo fato de ter sido levado a pensar. Não é verdade que estou falando com alguns de vocês que não lêem a Palavra de Deus, e que estou falando com muitos outros que a lêem, mas sem nenhuma resolução firme no sentido de entendê-la? Sei que esta é a realidade. Você quer começar a ser um leitor verdadeiro? Então, precisa dobrar os joelhos. Você deve orar a Deus, pedindo orientação. Quem entende melhor um livro? O próprio autor dele.

Se quero verificar o verdadeiro significado de uma frase um pouco complexa, e o autor mora perto da minha casa e tenho condições de visitá-lo, vou tocar a campainha da porta dele e dizer-lhe: "O senhor pode ter a gentileza de me dizer qual o significado original daquela frase? Não tenho a mínima dúvida de que ela faz muito sentido, mas eu sou inculto demais para percebê-lo. Não tenho o conhecimento e o domínio do assunto que o senhor possui, e, portanto, suas alusões e descrições estão além do meu alcance. Para o senhor, é um lugar-comum, bem dentro do seu alcance, mas para mim é difícil. O senhor teria a bondade de me explicar o significado?" Um bom homem teria prazer em ser tratado assim, e não teria nenhum problema em deslindar o significado a um leitor interessado e sincero. Assim, eu teria a certeza de obter o significado correto, porque estaria indo à fonte original ao consultar o próprio autor.


Da mesma maneira o Espírito Santo está conosco, e quando tomamos na mão o Livro dEle e começamos a lê-lo, e queremos saber o significado, devemos pedir que o Espírito Santo nos ensine. Ele não operará um milagre, mas Ele inspirará a nossa mente, e Ele nos sugerirá pensamentos que nos levarão através da ligação natural entre eles, até finalmente chegarmos ao cerne e ao âmago de sua instrução divina.


Portanto, procure com muita sinceridade a orientação do Espírito Santo, porque, se a própria alma da leitura é o entendimento daquilo que lemos, logicamente devemos invocar o Espírito Santo em oração, pedindo que Ele desvende os mistérios secretos da Palavra inspirada.

Usando Meios e Ajudas

Se temos pedido assim a orientação do Espírito Santo, segue-se que estaremos dispostos a usar todos os meios e ajudas para entendermos as Escrituras. Quando Filipe perguntou ao eunuco etíope se este entendia a profecia de Isaías, o eunuco respondeu: "Como poderei entender, se alguém não me explicar?" Em seguida, Filipe subiu à carruagem e abriu-lhe a Palavra do Senhor.


Alguns, sob o pretexto de estar sendo ensinados pelo Espírito Santo, se recusam a ser instruídos por livros ou por homens. Essa atitude não honra ao Espírito de Deus; pelo contrário, desrespeita-O, porque se Ele dá a alguns dos seus servos mais luz do que dá a outros — e é claro que Ele dá — esses estão obrigados a transmitir essa luz aos outros, e usá-la para o bem da igreja. Se, porém, o restante da igreja se recusa a receber essa luz, com que propósito o Espírito de Deus a deu? Nesse caso, haveria a sugestão de que há algum erro na dispensação dos dons e das graças, que é dirigida pelo Espírito Santo. Não pode ser assim. É do beneplácito do Senhor Jesus Cristo dar mais conhecimento e entendimento da sua Palavra a alguns dos seus servos do que a outros, e nossa parte é aceitar com alegria o conhecimento que Ele dá, da maneira que Ele quer dá-lo.


Seria muita iniqüidade nossa dizermos: "Não queremos os tesouros celestiais que existem em vasos de barro. Se Deus nos der o tesouro celestial com a sua própria mão, nós o aceitaremos, mas não através de vasos de barro. Pensamos que somos suficientemente sábios, com mentalidade celestial, e muito espirituais para dar valor às jóias quando estão colocadas em vasos de barro. Não queremos ouvir a ninguém, e não queremos ler algo além da Bíblia, nem queremos aceitar alguma luz a não ser aquela que passa por uma fenda em nosso próprio telhado. Não queremos ver com a claridade da vela de outro; preferimos permanecer na escuridão". Irmãos, não caiamos em semelhante insensatez. Se a luz vier da parte de Deus, mesmo que seja trazida por uma criança, nós a aceitaremos com alegria. Se algum dos servos dEle, seja Paulo, ou Apolo, ou Cefas, tiver recebido luz, eis que "todas as coisas são vossas, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus"; aceite, portanto, a luz que Deus acendeu, e peça graça suficiente para focalizar essa luz na Palavra, de modo que, ao lê-la, você possa entendê-la.


Não quero dizer muito mais a respeito disso, mas gostaria de fazê-lo sentir essas verdades. Você tem a Bíblia em casa, eu sei; você não gostaria de ficar sem a Bíblia; e pensaria que é um pagão, se não a tivesse. Você tem a Bíblia e talvez ela seja muito bem encadernada, um exemplar de aparência excelente; as páginas não foram muito viradas nem gastas, e não correm tal risco, porque apenas saem aos domingos para tomar o ar, e durante o restante da semana ficam guardadas junto aos lenços perfumados de alfazema. Você não lê a Palavra, não a perscruta, e como poderá esperar que receberá a bênção divina? Se não vale a pena escavar para achar o ouro celestial, não há a probabilidade de descobri-lo. Várias vezes já lhe falei que escrutinar as Escrituras não é o caminho da salvação. O Senhor tem dito: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo". Mesmo assim, a leitura da Palavra freqüentemente leva, assim como o ouvir da Palavra, à fé, e a fé traz a salvação; porque a fé vem pelo ouvir, e a leitura é um tipo de ouvir. Enquanto você procura saber o que é o evangelho, pode ser do agrado de Deus abençoar a sua alma.


Mas que quantidade inferior de leitura alguns de vocês dedicam às suas Bíblias! Não quero dizer nada que seja demasiadamente severo por não ser rigorosamente verdadeiro — que falem suas próprias consciências — mas não deixo de tomar a liberdade de perguntar: Não é verdade que muitos de vocês lêem a Bíblia de maneira muito apressada — só um pouquinho, e saem correndo? Alguns de vocês não se esquecem, pouco tempo depois, de tudo quanto leram, perdendo até mesmo o pouco efeito que parecia ter? Quão poucos de vocês estão resolutos no sentido de chegar até ao âmago da Palavra, ao seu suco, à sua vida, à sua essência, e a beber do seu significado! Se você não fizer assim, digo-lhe, de novo, que a sua leitura é leitura miserável, leitura morta, leitura sem proveito; não é leitura de modo algum, e até o nome de leitura seria impróprio. Que o Espírito Santo lhe dê arrependimento quanto a este assunto.
 
Charles H. Spurgeon

domingo, 13 de maio de 2012

Mãe, uma mestra do bem


 

Hoje é o dia das mães e, queremos homenagear essas mestras do bem. Queremos falar do seu papel e do seu valor como educadoras, como rainha do lar, como a guarda das fontes. É claro que existem mães omissas, mães insensatas, mães sem amor natural, que induzem seus filhos ao erro. Nosso foco, entretanto, é ressaltar o papel da mãe cristã, que é exemplo para os filhos, que ora por eles e os educa com firmeza e doçura, transmitindo-lhes as sagradas letras. Há muitas mães dignas de destaque na Bíblia e na história. Há muitas mães merecedoras dos nossos maiores encômios também em nosso meio, porém, destacarei três mães da Bíblia. Vamos aprender com elas.

1. Joquebede, uma mãe que ousou lutar pela sobrevivência do seu filho.Moisés, filho de Joquebede, deveria ser passado ao fio da espada ou jogado aos crocodilos do rio Nilo, logo ao nascer. A perseguição aos israelitas recém-nascidos no Egito era sangrenta e a chance de escapar da tragédia era humanamente impossível. Joquebede, entrementes, não desistiu do seu filho. Ela montou um plano para salvar seu filho da morte. Ela transcendeu o comum. Deus honrou seu gesto e salvou seu filho das águas do Nilo. A providência divina fez o menino Moisés parar no palácio de Faraó e retornar aos braços de Joquebede para ser amamentado. Foi nesse tempo, da primeira infância de Moisés, que sua mãe deu tudo de si para transmitir ao seu infante as verdades que mais tarde governariam a sua vida. Foi o ensino aprendido com sua mãe que levou Moisés a rejeitar as glórias do Egito por causa do opróbrio de Cristo. Precisamos de mães que invistam tempo na vida espiritual de seus filhos. Mães que busquem a salvação de seus filhos mais do que seu sucesso. Mães que dêem o melhor do seu tempo para inculcar nos filhos as verdades eternas, verdades essas que os ajudarão a tomar as mais importantes decisões ao longo da vida.

2. Ana, uma mãe que ousou consagrar o seu filho para Deus. Ana era estéril, porque o próprio Deus havia cerrado a sua madre. No seu tempo, esse era um problema doloroso, que trazia muitos estigmas. Ana teve ainda que enfrentar a zombaria da sua rival, a incredulidade do seu marido e a censura do seu sacerdote. Ela, contudo, não desistiu. Continuava orando e chorando diante de Deus, pedindo-lhe um filho. Houve um dia, porém, que ela resolveu fazer um voto a Deus. Prometeu-lhe que se Deus lhe desse um filho, o devolveria para o Senhor por todos os dias da sua vida. Deus ouviu o seu clamor e ela concebeu e deu à luz a Samuel, o maior juiz, o maior profeta e o maior sacerdote da sua geração. Precisamos de mães que ousem consagrar o melhor daquilo que Deus lhes tem dado ao Senhor. Mães que coloquem seus filhos no altar. Mães que consagrem seus filhos para Deus, para cumprirem os soberanos propósitos de Deus.

3. Eunice, uma mãe que educa o filho pelo exemplo e pelo ensino. Eunice era mãe de Timóteo e filha de Loide. Cresceu bebendo o leite da piedade e transmitiu a seu filho as mesmas verdades aprendidas em seu lar. Nela habitava uma fé sem fingimento. Essa mesma fé, ela transmitiu para seu filho. Eunice era uma mulher comprometida com a Palavra de Deus. Ela ensinou a Timóteo as sagradas letras desde a sua infância. A palavra grega usada é brefos, que quer dizer “desde o ventre”. Essas sagradas letras tornaram Timóteo sábio para a salvação. Mais tarde, Timóteo tornou-se discípulo do apóstolo Paulo e constitui-se num dos maiores pastores da igreja cristã, aquele que haveria de dar continuidade ao ministério do grande apóstolo dos gentios. Você mãe, é desafiada a andar com Deus, a ensinar os seus filhos a Palavra de Deus e a prepará-los para serem vasos de honra nas mãos de Deus.
Por  Hernandes Dias Lopes. Website:  hernandesdiaslopes.com.br

sábado, 12 de maio de 2012

A história de Ian e Larissa





O que é o principal em um casamento? Neste emocionante vídeo, Ian e Larissa encarnam a demonstração de que o casamento é primariamente uma questão de demonstrar o amor fiel entre Cristo e Sua Igreja. Que através deste vídeo você possa repensar seu (atual ou futuro) casamento. Abaixo segue uma carta de John Piper a respeito do vídeo.

Carta de John Piper sobre o vídeo

Caros Amigos,
O Desigin God existe para ajudar pessoas em todo lugar a entender e abraçara verdade de que Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele. E eu adicionaria, especialmente no sofrimento.
Estar satisfeito em Deus (ou em qualquer coisa) sempre parece mais fácil quando tudo está indo bem. Mas quando as coisas que você ama estão sendo puxadas de suas mãos, aí o teste é real. Se Deus continua precioso nestes momentos, então seu supremo valor brilha mais radiante. Ele é mais glorificado.
Os testemunhos mais significativos que eu recebo são quando as pessoas me dizem que foi uma visão da soberania e a bondade de Deus que lhes guiou através dos tempos mais difíceis de suas vidas.
Eis aqui um destes testemunhos. Eu tremo com a alegre responsabilidade de lhes apresentar a Ian e Larissa Murphy neste vídeo. Tremo, porque é a história deles e é tão pessoal. Tão delicada. Tão facilmente abusada. Tão inacabada. Alegre, porque Cristo é exaltado sobre todas as coisas.
Nós temos uma grande visão no Desiring God: nós queremos alcançar o máximo de pessoas possível com a nossa mensagem do Hedonismo Cristão—a alegria em Deus ser Deus e fazer as pessoas alegres nele. Temos à nossa disposição o poder incrível da internet. Esta é a nossa principal maneira de disseminação.
Mas as estatísticas da internet podem tanto ocultar quanto revelar. São pessoas. Cada visita ao site representa uma pessoa real com uma alma eterna. Que responsabilidade! Ore por nós para que ministremos bem a nossa influência. E obrigado pela sua parceria para tornar este ministério possível.
Ame Ian e Larissa enquanto assiste a essa incrível história. Ore por eles. E por nós.
Seu parceiro na maior das causas,
John Piper com Josh Etter






Larissa Murphy (27) é esposa de Ian (27), e eles vivem no oeste da Pensilvânia. Larissa trabalha com marketing em um banco local e bloga no Pray for Ian [Ore pelo Ian]. Ian se dedica à sua empresa, Vinegar Hill. A história do relacionamento deles, suas provações nesta incomum união e do reflexo do amor do Salvador através do casamento deles foi contada recentemente através de um documentário online.

Uma produção de Citygate Films. Dirigido, produzido e escrito por Carolyn McCulley. Diretor de fotografia: Michael Hartnett. Câmeras adicionais: Shepherd Ahlers, Andrew Laparra.  Som Autônomo: Stefan Green. Consultor de produção: David Altrogge. Música original por Roger Hooper. Editado por Suzanne Taylor. Edições adicionais: Stefan Green, Andrew Laparra. Design e mixagem por Dallas Taylor, CAS. Copyright 2011 Desiring God. Original: desiringgod.org

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Jesus Painting


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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Igreja - Perguntas e Respostas - Paul Washer


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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Manuseando a Palavra de Deus de maneira enganosa





Aceitamos a obrigação de pregar tudo que está na Palavra de Deus, de modo definido e distinto. Será que não há muitas pessoas que pregam sem significado claro, manuseando a Palavra de Deus de maneira enganosa? Você freqüenta o ministério deles durante anos e não sabe no que crêem. Ouvi falar de certo pastor cauteloso, a quem um ouvinte perguntou: "Qual é sua visão da expiação?". E ele respondeu: "Meu caro senhor, justamente isso, eu nunca contei a ninguém, e não vou dizer agora". Essa é uma estranha condição moral para a mente de um pregador do evangelho. Temo que ele não seja o único que tem esse tipo de relutância. Dizem que eles consomem sua própria fumaça, isto é, guardam suas dúvidas para o consumo caseiro. Muitos não ousam dizer no púlpito o que dizem sub rosâ (em particular) em uma reunião particular de pastores. Isso é honesto?
 
Temo que aconteça com alguns o mesmo que se deu com um professor de uma cidade do sul dos Estados Unidos. Um grande professor negro antigo, Jasper, ensinara seus alunos que o mundo é plano como uma panqueca, e que o sol o circula todos os dias. Não tivemos essa parte de seu ensino, mas certas pessoas sim, e um deles foi com seu filho até o professor e perguntou: "Você ensina às crianças que o mundo é redondo ou plano?". O professor cautelosamente respondeu: "Sim". O indagador ficou confuso, mas pediu uma resposta mais clara: "Você ensina seus alunos que o mundo é redondo ou que é plano?". A resposta do professor estado-unidense foi: "Isso depende da opinião dos pais". Desconfio que mesmo na Grã-Bretanha, em alguns poucos casos, muito depende da tendência do diácono principal, ou do contribuinte principal ou do jovem de ouro da congregação. Se isso acontece, o crime é repugnante.
 
Mas se por essa ou qualquer outra razão ensinamos com língua dissimulada, o resultado é extremamente prejudicial. Ouso citar aqui uma história que ouvi de um amado irmão. Um pedinte bateu à porta da casa de um pastor para conseguir dinheiro com ele. O bom homem não gostou muito da aparência do pedinte e lhe disse: "Eu não me interesso por seu caso e não vejo nenhuma razão especial por que você deva vir a mim". O pedinte respondeu: "Estou certo que você me ajudaria se soubesse que grande benefício tenho recebido de seu ministério abençoado". O pastor retrucou: "E qual foi?". O pedinte respondeu: "Ora, senhor, quando eu primeiro vim ouvi-lo não ligava nem para Deus nem para demônio, mas agora, sob seu abençoado ministério, passei a amar os dois". Que maravilha se por causa da fala volúvel de alguns homens, as pessoas viessem a amar tanto a verdade como a mentira! As pessoas dirão: "Gostamos dessa doutrina e da outra também". O fato é que gostariam de qualquer coisa caso um enganador esperto pusesse isso plausivelmente diante deles. Admirariam Moisés e Aarão, mas não diriam uma palavra contra Janes e Jambres.
 
Não nos uniremos à confederação que parece visar tal compreensão. Precisamos pregar o evangelho de modo tão distinto que as pessoas saibam o que estamos pregando. "Se a trombeta não emitir um som claro, quem se preparará para a batalha?" (1Co 14.8). Não confunda seu povo com falas duvidosas. Alguém disse: "Bem, eu tive uma idéia nova um dia desses. Não a expandi; joguei-a fora!". Essa é uma coisa boa para fazer com a maioria de suas idéias novas. Lance-as fora, sim, de qualquer maneira, mas veja onde você está quando o faz; porque se você lançá-las do púlpito, podem acertar alguém e ferir a fé da pessoa. Lance fora suas idéias, mas primeiro navegue sozinho em um barco por mais de um quilômetro mar adentro. Depois que você tiver jogado ali suas cruas bagatelas, deixe-as com os peixes. 
 
Hoje, temos a nossa volta uma classe de homens que pregam Cristo e até o evangelho, mas depois eles pregam muitas outras coisas que não são verdade e assim destroem todo o bem que entregam e levam os homens ao erro. Eles querem ser classificados como "evangélicos" e, na verdade, são antievangélicos. Olhe bem para esses senhores. Ouvi dizer que uma raposa, quando acossada de perto pelos cães sabe fingir que é um deles e corre com a matilha. Isso é o que certos homens visam hoje: as raposas querem passar por cães. Mas no caso da raposa, seu cheiro forte a trai, e os cães logo a descobrem, do mesmo modo, o cheiro da doutrina falsa não é facilmente ocultado, e a presa não a segue por muito tempo. Há ministros que é difícil saber se são cães ou raposas; mas todos os homens devem saber de que espécie somos ao longo de nossa vida e não ter dúvida em relação àquilo que cremos e ensinamos. Não hesitemos em falar nas palavras mais robustas que possamos encontrar e nas sentenças mais claras que pudermos formar aquilo que mantemos como verdade fundamental. 


Charles H. Spurgeon

terça-feira, 8 de maio de 2012

Como não transformar seus filhos em pequenos fariseus



Como não transformar seus filhos em pequenos fariseus

Educando suas crianças no poder do evangelho

“Eu sinto que estou criando pequenos hipócritas.” Muitos pais temem que seus filhos, uma vez que lhes ensinaram formas adequadas de  comportamento, crescerão como crianças bem comportadas, mas sem o senso da necessidade da graça.

O problema da hipocrisia é maior em lares  que enfatizam o comportamento ao invés do coração. Se o foco da disciplina e da correção é a mudança de comportamento, você perderá o coração. Essa abordagem faz com que o problema esteja no que eu faço, não no que eu sou.

De acordo com a Bíblia, o problema que temos é mais profundo que isso. O problema não está no que eu e você ou seus filhos fazem de errado. O problema não é que nós / eles mentem ou invejam, ou desobedecem. O problema é que você, seus filhos e eu somos mentirosos, invejosos; somos desobedientes.
Pergunte a si mesmo: Um homem é um ladrão porque ele rouba, ou ele rouba porque ele é um ladrão? Ele é um mentiroso porque ele mente, ou ele mente porque é um mentiroso? A resposta da Bíblia é que ele rouba porque ele é um ladrão, mente por ser um mentiroso, desobedece por ser desobediente. Este é o testemunho da Bíblia. “Desde o nascimento os ímpios se desviam, desde o ventre são rebeldes e falam mentiras.” (Salmo 58.3).

Alguém, às vezes, poderá perguntar: “Que tal abordar o comportamento que está errado dizendo-lhes para fazer melhor. Isso não faria parte de ser um bom pai?” A resposta, claro, é que tratar o coração não significa que você não tratará o comportamento, isso apenas lhe diz como abordar com o comportamento. Uma vez que o comportamento é o motivado pelo coração, eu tenho de  falar do comportamento de forma que foque a mudança do coração e não simplesmente a mudança de comportamento.

Esta verdade pode ajudá-lo a manter o centro  do evangelho na correção e disciplina. Você deve ajudar seus filhos a ver os problemas ocultos do coração que estão por trás das coisas erradas que eles fazem. Você terá conversas como esta:

- Filhinho, você sabe que eu estou preocupado que você mentiu para mim. Dizer a verdade é algo que é muito importante nas relações humanas. Se você não pode confiar em mim e eu não posso confiar em você, nós não temos nenhuma cola para manter nossa relacionamento. Você entende o que estou dizendo? 

- “Sim” -  ele diz, balançando a cabeça.

- Mas você sabe o que me preocupa ainda mais?

- Não.

- Minha maior preocupação com você é que você é justamente igual a mim. Nós mentimos porque achamos que contar uma mentira será melhor do que dizer a verdade. E, às vezes,  nós amamos mais a nós mesmos do que amamos a Deus. É por isso que contamos mentiras. 

É por isso que Jesus veio. Se a nossa necessidade era de alguém nos dizer o que fazer, Deus apenas teria enviado um profeta. O problema que temos é tão grande que só saber o que devemos fazer não é suficiente. Precisamos de um Salvador do nosso pecado e precisamos de alguém que tenha poder para nos livrar.

Se você tiver uma criança precoce, a conversa poderia ser assim:

-  Você nunca contou uma mentira, papai?

- Bem, filhinho, há muitas maneiras de mentir. Podemos, às vezes, contar uma mentira fazendo alguém pensar algo sobre nós que não é verdade. Por isso, sim, às vezes, o papai conta uma mentira. Então, sabe o que eu preciso fazer?

- O quê?

- Eu preciso confessar o meu pecado a Deus. Deus diz que Ele vai nos perdoar. (1 João 1.9). E eu também tenho de pedir perdão a quem eu menti. E eu preciso pensar em quem eu estava amando mais do que Deus quando eu menti, e assim posso confessar esse pecado também. Sabe de uma coisa, filhinho? Eu preciso de Deus todos os dias, tanto quanto você. Eu preciso do Seu perdão. Eu preciso dEle para me mudar por dentro, e assim eu O amarei mais que tudo. Eu preciso de Seu poder para amá-Lo e aos outros mais do que eu me amo.

Cada oportunidade de corrigir o seu filho é uma oportunidade para confrontá-lo com a sua profunda necessidade de perdão e graça. Enquanto o comportamento for a sua prioridade você nunca terá espaço para compartilhar o que realmente importa: a esperança e o poder do evangelho.  Se os seus filhos forem como cãezinhos adestrados eles se tornarão pequenos fariseus, limpos por fora e sujos por dentro.

Traduzido e gentilmente cedido por Charles Grimm | iPródigo.com | Original aqui (extraído da postagem pessoal de Tedd Tripp em seu perfil do Facebook).

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Você já orou de verdade?





Há uma idéia popular de que a oração é uma coisa muito fácil, uma espécie de atividade comum que pode ser feita de qualquer forma, sem nenhum cuidado ou esforço. Alguns pensam que somente é necessário pegar um livro, utilizar certo número de palavras atraen­tes, e assim terá orado, podendo então guardá-lo novamente. Outros supõem que usar um livro é coisa supersticiosa, e aquilo que se deveria fazer é repetir uma série de frases improvisadas, frases essas que viriam à mente de súbito como uma manada de porcos ou uma matilha de cães, e uma vez tendo-as pronunciado com certa atenção, pronto, a oração foi feita.


Ora, nenhum desses modos de orar foi adotado pelos santos do passado. Parece que eles pensaram muito mais seriamente sobre oração do que muitos pensam em nossos dias. Parece ter sido algo impor­tantíssimo para eles - um exercício constantemente praticado, no qual alguns deles atingiram grande eminência e foram, dessa forma, singularmente abençoados. Ceifaram grandes colheitas no campo da oração e descobriram que o propiciatório é uma mina de tesouros inimagináveis.


Os santos do passado tiveram o costume de colocarem em ordem, como Jó, sua causa diante de Deus. Assim como um peticionário não vai a uma corte impulsivamente, sem antes pensar no que vai dizer, mas entra na sala de audiências com seu processo bem preparado, tendo também aprendido como deve se comportar diante da grande autoridade a quem vai apelar, da mesma forma é bom que nos aproximemos do trono do Rei dos reis, tanto quanto possível, com premeditação e preparação, sabendo o que fazemos, qual a nossa posição e o que desejamos obter. Em tempos de perigo e aflição podemos correr para Deus da forma como estamos, assim como a pomba voa para uma fenda na rocha, mesmo que suas penas estejam arrepiadas; mas em tempos normais não deveríamos nos aproximar dEle com espírito despreparado, assim como uma criança não se aproxima do seu pai pela manhã sem antes ter lavado o rosto.


Veja ali o sacerdote; ele tem um sacrifício para oferecer, porém não se apressa para o pátio dos sacerdotes a fim de picar o novilho com o primeiro machado em que puder pôr a mão. Pelo contrário quando se levanta lava seus pés na bacia de bronze, coloca suas vestimentas e se enfeita com seus trajes sacerdotais. Então ele se achega ao altar com sua vítima adequadamente dividida de acordo com a lei. Sendo cuidadoso em fazer de conformidade com o manda­mento, mesmo em coisas simples tais como onde colocar a gordura, o fígado e os rins. Ele põe o sangue numa bacia, derrama-o num lugar apropriado aos pés do altar, não o jogando de forma que mais lhe agrade, e acende o fogo, não com chama comum, e sim com o fogo sagrado retirado do altar. Atualmente todo este ritual foi superado, mas a verdade que ele ensinava permanece a mesma; nossos sacrifícios espirituais devem ser ofe­recidos com santo cuidado. Deus nos livre de que nossa oração seja somente saltar da cama, ajoelhar-nos e dizer qualquer coisa que venha à mente. Pelo contrário, que possamos esperar no Senhor com santo temor e reverência.


Veja como Davi orou quando Deus o abençoou - ele entrou na presença do Senhor. Compreenda isso. Ele não ficou de fora a uma certa distância, porém entrou na presença do Senhor e sentou-se (pois sentar-se não é posição errada para orar, ainda que critiquem contra isso) e uma vez sentado, calma e tranqüilamente diante do Senhor, começou a orar. Todavia, ele não fez isso sem antes pensar na bondade divina. Dessa maneira chegou ao espírito de oração. Daí, pela assistência do Espírito Santo, abriu sua boca. Oxalá buscássemos mais freqüentemente o Senhor desse modo!
 
Davi se expressa da seguinte forma: "Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã me apre­sentarei a ti, e vigiarei" (Salmo 5:3). Sempre lhes tenho explicado isso como significando pôr em ordem de batalha seus pensamentos tais quais homens de guerra, ou apontar suas orações como se fossem flechas. Davi não apanhava uma flecha para colocá-la na corda do arco e atirá-la em qualquer direção, mas tendo apanhado a flecha escolhida e a colocado na corda, ele se fixava no alvo. Olhava - olhava bem - para o círculo branco do alvo; mantinha seu olho fixo no mesmo, dirigia sua oração, então puxava o arco com toda sua força e deixava a flecha voar. Uma vez em pleno vôo, tendo ela deixado suas mãos, o que diz ele? "Olharei para cima." Olhava para cima a fim de ver aonde a flecha foi e saber que efeito havia causado, pois esperava resposta as suas orações e não era como muitos que raramente pensam em suas orações depois de as haverem profe­rido. Davi sabia que tinha diante de si uma obrigação que requeria toda a sua capacidade mental; ele punha em ordem de batalha suas faculdades e partia para a obra de maneira esmerada, como alguém que cria na mesma e desejava obter sucesso. Deveríamos tanto arar cuida­dosamente como orar cuidadosamente. Quanto melhoro trabalho mais atenção ele merece. Ser diligente na sua loja e negligente no lugar de oração, é nada menos do que blasfêmia, pois é uma insinuação de que qualquer coisa servirá para Deus, enquanto que o mundo deve ter o melhor de nós.


Se alguém me perguntar qual a ordem a ser observada em oração, eu não darei um esquema como muitos têm feito, no qual a adoração, confissão, petição, intercessão e louvor estão arranjados numa sucessão. Não estou convencido de que uma ordem desse tipo tenha autoridade divina. Não é à ordem mecânica que estou me referindo, pois nossas orações serão igual­mente aceitáveis, e talvez igualmente apropriadas, em quaisquer formas, posto que existem, exemplos de orações, de todos os tipos, tanto no Velho como no Novo Testamento.


A verdadeira ordem espiritual da oração parece-me consistir em algo mais do que um mero arranjo. É muito apropriado para nós sentirmos que agora estamos fazendo algo real; sentirmos que estamos nos dirigindo a Deus, a Quem não podemos ver, porém que está realmente presente; a Quem não podemos tocar ou ouvir, nem por meio de nossos sentidos perceber, a Quem, entretanto, está conosco tão realmente como se estivéssemos falando com um amigo de carne e osso. Sentindo a realidade da presença de Deus, nossa mente será conduzida pela graça divina a um estado de humildade; sentir-nos-emos como Abraão quando disse: "Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza". Assim sendo, não faremos nossas orações como garotos que repetem suas lições de forma roti­neira, muito menos falaremos como se fôssemos rabinos instruindo nossos alunos, ou como alguns fazem, com a aspereza de um assaltante parando alguém na estrada e obrigando-o a entregar-lhe sua bolsa; mas seremos humildes suplicantes, embora ousados, humildemente importunando a misericórdia mediante o sangue do Salvador. Não teremos a reserva de um escravo, mas a cândida reverência de uma criança, contudo não uma criança impudente, impertinente, e sim uma criança obediente e dócil, honrando seu Pai, e portanto rogando sinceramente, com respeitosa submissão à vontade de seu Pai. Quando sinto que estou na presença de Deus e tomo o meu devido lugar ali, a próxima coisa que faço é reconhecer que não tenho direito algum àquilo que estou buscando e não posso recebê-lo, exceto como um dom da graça. Devo reconhecer também que Deus limita o canal através do qual me concede misericórdia - Ele o fará por meio do Seu amado Filho. Portanto, quero me colocar sob a proteção do grande Redentor. Quero sentir que agora não sou mais eu que falo, mas Cristo fala comigo e que, enquanto suplico, faço-o através de Suas chagas, Sua vida, Sua morte, Seu sangue e Seu ser. É dessa maneira que realmente alcançamos uma ordem na oração.
 
O que devo pedir? É muito apropriado que, na oração, objetivemos uma grande clareza nas súplicas. Há muitos motivos para deplorar sobre certas orações feitas em público, pois aqueles que as fazem realmente não pedem nada a Deus. Preciso admitir que eu mesmo tenho orado assim, e certamente tenho escutado muitas orações desse tipo, nas quais tive a impressão que nada foi pedido a Deus. Muito de excelentes assuntos dou­trinários e experimentais foi enunciado, mas bem poucas súplicas e esse pouco de um modo nebuloso, caótico e disforme. Todavia, parece-me que a oração deve ser clara, o pedir por alguma coisa definida e claramente, pois a mente percebe sua necessidade premente de tal coisa, e portanto deve suplicar por ela. Não é bom usar de rodeios na oração, mas ir direto ao assunto. Eu gosto daquela oração de Abraão: "Oxalá viva Ismael diante de ti!" Ele menciona o nome e a pessoa pela qual está orando e a bênção desejada, tudo isso em poucas palavras - "Ismael viva diante de ti!" Muitas pessoas teriam usado uma expressão cheia de rodeios, tal como esta: "Oh que nossa prole possa ser agraciada com o favor que Tu dispensas para aqueles que..." etc. Diga "Ismael", se você quiser dizer "Ismael"; coloque isso em palavras simples diante do Senhor. Algumas pessoas não podem sequer orar pelo pastor sem usar certos adjetivos de tal forma que pensaríamos ser o bedel da paróquia ou alguém que não poderia ser mencionado tão particularmente.


Porque não sermos claros e dizermos o que pen­samos, e pensarmos o que queremos dizer? Ordenar nossa causa nos levaria a uma maior clareza de pensamento. Quando em particular, não é necessário pedir todos os bens possíveis e imagináveis; não é necessário recitar o catálogo de todos os desejos que você tem, teve, pode ter ou terá. Peça o que precisa no momento e, como regra, atenha-se à tua necessidade da hora; peça pelo pão de cada dia - o que deseja no momento - peça isso. Peça-o sem rodeios, diante de Deus, que não repara em tuas expressões rebuscadas, para Quem tua eloqüência e oratória não serão mais do que puro vaidade. Você está diante do Senhor; sejam poucas as tuas palavras, mas seja cheio de fervor teu coração.


Você ainda não terá posto as coisas em ordem quando ti ver pedido o que deseja através de Jesus Cristo. É preciso examinar a bênção que deseja para saber se ela é algo apropriado a ser pedido, pois algumas orações jamais seriam feitas se os homens apenas refletissem. Uma pequena reflexão nos faria ver que seria melhor se certas coisas que desejamos fossem postas de lado. Além disso, podemos terem nosso íntimo um motivo que não vem de Cristo - motivo egoísta - que esquece da glória de Deus e só se preocupa com nosso próprio alívio e conforto. Ora, embora possamos pedir coisas que sejam para nosso proveito, não devemos permitir que nosso proveito interfira, de maneira alguma, com a glória de Deus. Deve haver junto com a oração aceitável o santo sal da submissão à vontade divina. Gosto destas palavras de Lutero: "Senhor, terei aquilo que quero de Ti". "Como você gosta de uma expressão como essa"? -você me pergunta. Gosto por causa do que se segue: "Terei o que desejo, pois sei que a minha vontade é a Tua vontade". Lutero se expressou muito bem, mas sem as últimas palavras teria sido uma ímpia presunção. Quando estamos certos de que aquilo que pedimos é para a glória de Deus, então, se tivermos poder na oração, podemos dizer: "Não te deixarei ir se não me abençoares". É possível chegar a um tal relacionamento íntimo com Deus, e como Jacó com o anjo, podemos lutar e tentar vencer o anjo para não sermos mandados embora vazios, sem recebermos a bênção desejada. Mas antes de chegarmos a essa intimidade, devemos ter a certeza de que aquilo que estamos buscando é realmente para a honra do Mestre.


Ponha estas três coisas juntas: 1) profunda espi­ritualidade que reconhece a oração como sendo conversa real com o Deus invisível - clareza que evidencia realidade na oração, pedindo por aquilo que sabemos necessitar; 2) muito fervor, crendo que é realmente necessário aquilo que desejamos, estando dispostos a obtê-lo pela oração, desde que seja possível tê-lo por meio da mesma; 3) acima de tudo isso, completa submissão, deixando-o ainda com a vontade do Mestre. Tudo isso deve ser amalgamado e então terá uma idéia clara do que é ordenar sua causa diante de Deus.


Ainda mais, a oração em si mesma é uma arte que somente o Espírito Santo pode nos ensinar. Ele é o doador de todas as orações. Rogue pela oração - ore até que consiga orar, ore para ser ajudado a orar e não abandone a oração porque não consegue orar, pois nos momentos em que você acha que não pode orar, é que realmente está fazendo as melhores orações. As vezes quando você não sente nenhum tipo de conforto em suas súplicas e seu coração está quebrantado e abatido, é que realmente está lutando e prevalecendo com o Altíssimo.

Charles H. Spurgeon