sábado, 31 de dezembro de 2011

Uma Benção de Ano-Novo (sermão inédito de C.H.Spurgeon)




Nº 292
Sermão pregado na manhã de Domingo, 1º de Janeiro de 1860,
por Charles Haddon Spurgeon.
Em Exeter Hall, Strand, Londres.

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“Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo, depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça.” 1 Pedro 5:10.
O apóstolo Pedro passa da exortação para a oração. Ele sabia que a oração marca o fim da pregação no ouvinte, mas que a pregação do ministro deve ir sempre acompanhada de oração. Havendo exortado os crentes a caminhar com firmeza, dobra os seus joelhos e os encomenda a vigilância zelosa do céu, implorando sobre eles uma das maiores bênçãos que o coração mais afetuoso alguma vez haja suplicado.
O ministro de Cristo deve exercer dois ofícios ao povo que está ao seu cargo. Deve lhes falar por Deus e falar a Deus por eles. O pastor não terá cumprido todavia com toda a sua sagrada comissão quando houver declarado todo o conselho de Deus. Somente haverá cumprido uma metade. A outra parte deverá desempenhar em segredo, quando carregar em seu peito, como o sacerdote nos tempos antigos fazia, as necessidades, os pecados, as provações e as súplicas de seu povo diante de Deus. O dever diário do pastor cristão consiste por um lado em orar por seu povo, e por outro em exortar, instruir e consolar a esse povo.
Há, contudo, situações especiais quando o ministro de Cristo se vê constrangido a pronunciar uma bênção incomum sobre seu povo. Quando um ano de tribulação passa e outro ano de misericórdia começa, podemos expressar nossos sinceros agradecimentos por Deus ter nos preservado, e nossas fervorosas súplicas por milhares de bênçãos sobre as cabeças daqueles a quem Deus encomendou debaixo do nosso cuidado pastoral.
Esta manhã tomei este texto como uma bênção de ano novo. Vocês sabem que um ministro da Igreja da Inglaterra sempre me proporciona o tema para o novo ano. Ele ora muito antes de seleccionar o texto, e eu sei que hoje, está oferecendo esta precisa oração por todos vocês. Ele constantemente me favorece com um tema, e sempre considero meu dever pregar sobre ele, e desejar que meu povo o recorde ao longo de todo o ano para que sirva de apoio no tempo de sua tribulação, como um delicioso manjar, como uma bolacha com mel, como o pedaço do alimento de um anjo, que possa pôr sobre a sua língua e levá-lo até que finalize o ano, para logo recomeçar com outro doce texto. Que bênção maior poderia ter escolhido meu amigo ancião, de pé hoje em seu púlpito, levantando mãos santas para pregar ao povo em uma pacífica igreja camponesa? Que bênção maior poderia implorar ele para os milhares de Israel, que esta bênção que em seu nome pronuncio sobre vocês neste dia: “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo, depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça.”
Ao pregar sobre este texto, terei que explicar: primeiro o que o apóstolo pede ao céu; e logo, em segundo lugar por quê espera recebê-lo. A razão de sua esperança, de receber o que pede, está contida no título que utiliza para dirigir-se ao Senhor seu Deus: “MAS O DEUS DE TODA A GRAÇA, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo”.
I. Então, em primeiro lugar, O QUE O APÓSTOLO PEDE PARA TODOS AQUELES A QUEM ESCREVEU ESTA EPÍSTOLA. Ele pede para eles quatro jóias resplandecentes colocadas sobre um negro pano de realce. As quatro jóias são estas: Perfeição, Confirmação, Fortalecimento e Estabelecimento. O negro pano de realce sobre o qual estão colocadas é este: “Depois que tenhais padecido um pouco de tempo.” As lisonjas do mundo valem pouco, pois como observa Chesterfield: Não custam nada exceto tinta e papel.” Devo confessar que creio que inclusive este pequeno gasto é um grande desperdício. As lisonjas mundanas geralmente omitem toda a ideia de aflição. “Um feliz Natal! Um próspero Ano Novo!” Não há nenhuma suposição de algo que se pareça ao padecimento. Mas as bênçãos cristãs apontam a verdade dos assuntos. Sabemos que os homens devem padecer. Cremos que os homens nascem para serem acumulados de dores da mesma maneira que a faísca nasce para voar ao alto; e por isso em nossa bênção incluímos o padecimento. E mais, vamos mais além, cremos que nossa tristeza nos ajudará a alcançar a bênção que invocamos sobre nossas cabeças. Nós, no vocabulário de Pedro, dizemos: “Depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça”. Entendam então que, conforme eu mostre cada uma destas quatro jóias, devem observá-las e considerar que são desejadas para vocês, “depois que tenhais padecido um pouco de tempo”.
1. Agora a primeira jóia resplandecente neste diadema é a Perfeição. O apóstolo ora para que Deus nos aperfeiçoe. Certamente, ainda que esta seja uma oração para um longo período de tempo, e a jóia seja um diamante de belas águas e de tamanho excepcional, é absolutamente necessário que um cristão em última instância chegue à perfeição. Acaso nunca tiveram um sonho em suas camas, quando seus pensamentos vagueiam livremente e a boca de sua imaginação corre sem freio, e sua alma abre suas asas e flutua por todo o infinito, agrupando coisas estranhas e maravilhosas, de tal maneira que o sonho se desenvolvia em algo como um esplendor sobrenatural? Mas, subitamente foram despertados, e vocês lamentaram durante horas que o sonho não tivesse chegado a uma conclusão. E o que é um cristão, que não chega a perfeição, senão um sonho não concluído? Um sonho majestoso de todas as maneiras, e certamente, cheio das coisas que a terra não teria conhecido antes, se não fosse porque são reveladas pelo Espírito à carne e ao sangue.
Mas suponhamos que a voz do pecado nos espantasse antes que o sonho se concluísse, e como cada um se desperta, perdêssemos a imagem que começou a se formar em nossas mentes, o que seria de nós então? Remorsos eternos e uma multiplicação do tormento eterno seriam o resultado de haver começado a ser cristãos, se não alcançássemos a perfeição. Se pudesse existir tal coisa como um homem em quem se começou a obra da santificação, mas em quem Deus no Espírito cessou de operar; se pudesse existir um ser tão infeliz como para ser chamado pela graça para ser abandonado antes de ser aperfeiçoado, não haveria entre os condenados no inferno desventurado mais infeliz. Não seria uma bênção que Deus começasse a abençoar se não levasse à perfeição. Seria a maior maldição que a ira Onipotente poderia pronunciar: dar para um homem a graça, mas que essa graça não o conduzisse até o fim e não o pusesse com segurança no céu. 
Eu devo confessar que preferiria suportar os tormentos desse terrível arcanjo, Satanás, por toda a eternidade do que ter que sofrer como alguém a quem Deus uma vez amou, mas a quem depois reprovou. Mas isso não acontecerá jamais. A quem uma vez escolheu, Ele não o rejeitará. Sabemos que onde Ele começou uma boa obra, a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo. Grandiosa é a oração, então, na qual o apóstolo pede que sejamos aperfeiçoados. O que seria de um cristão se não fosse aperfeiçoado? Nunca viram um painel sobre o qual a mão do pintor tenha esboçado com atrevido pincel alguma cena maravilhosa de grandeza? Vêem onde a viva cor tenha sido pintada com uma habilidade quase sobre-humana. Mas o artista caiu morto repentinamente e a mão que desenhou milagres de arte ficou paralisada e o pincel caiu. Acaso não é fonte de lamentos no mundo que alguma vez se tenha começado uma pintura que não pôde jamais ser terminada? Não viram o humano semblante divino em um relevo talhado em mármore? Viram a elegante habilidade do escultor e disseram a vocês mesmos: ‘Isto será algo maravilhoso!’ Que demonstração sem par de habilidade humana! Mas, Ah! Nunca foi completada, não se pôde terminar. E poderiam imaginar, qualquer um de vocês, que Deus começara a esculpir um ser perfeito e que não o terminara? Pensam que a mão da sabedoria divina esboçaria ao cristão sem completar seus detalhes? Acaso Deus nos tomou da pedreira como uma pedra sem lavrar, e começou a esculpir em nós, e a mostrar Sua arte divina, Sua maravilhosa sabedoria e graça, para logo nos lançar fora? Acaso Deus falhará? Deixará, por acaso, que Suas obras sejam imperfeitas? Leitores, mostrem se podem, algum mundo que Deus haja abandonado sem poder terminar. Há alguma partícula em Sua criação na qual Deus tenha começado a construir algo, mas que tenha sido incapaz de concluir? Acaso deixou incompleto algum anjo? Há, por acaso, uma só criatura da qual não se possa dizer: “É muito boa?”
E se dirá da criatura formada duas vezes: do eleito de Deus, do comprado com sangue, acaso se dirá: “O Espírito começou a operar no coração deste homem, mas o homem foi mais poderoso que o Espírito, e o pecado venceu a graça; Deus teve que fugir e Satanás triunfou, e o homem nunca foi aperfeiçoado?” Oh, meus queridos irmãos, a oração será ouvida. Depois que tenhais padecido um pouco de tempo, Deus os aperfeiçoará, se Ele começou a boa obra em vocês.
Mas, amados, deve ser depois que tenham padecido um pouco de tempo. Não poderão ser aperfeiçoados, exceto pelo fogo. Não há outra forma de lhes tirar a sua escória e suas impurezas senão por meio das chamas da fornalha da aflição. Filhos de Deus, vossa insensatez está tão ligada a seus corações, que nada senão a vara pode extirpá-la. É através das marcas de seus ferimentos que seu coração é melhorado. Devem passar pela tribulação para que, por meio do Espírito, possa funcionar como fogo purificador para vocês; para que uma vez purificados, santos, acrisolados, e lavados, compareçam diante da face de Deus, isentos de toda imperfeição, e livres de toda corrupção interna.
2. Prossigamos agora para a segunda jóia de bênção: Confirmação. Não é suficiente que o cristão tenha recebido um aperfeiçoamento proporcional, se não é confirmado. Vocês já viram um arco-iris no céu quando se faz visível pela planície: suas cores são gloriosas, e suas nuances são excepcionais. Ainda que o tenhamos visto muitíssimas vezes, nunca deixa de ser “algo belíssimo e um gozo constante.” Mas que lástima do arco-íris, não está confirmado. Se desvanece e aqui já não está. As belas cores cedem passo às nuvens carregadas e a abóbada celeste já não brilha com as tinturas do céu. Não está confirmado. Como pode ser isto? Algo que está feito de raios passageiros do sol e gotas instáveis da chuva, como poderia permanecer? E fixem nisto, quanto mais bela é a visão, mais desconsolada é a reflexão quando essa visão se desvanece, e não fica nada senão escuridão.
Então, ser confirmado é algo extremamente desejável para o cristão. De todas as concepções conhecidas de Deus, junto ao Seu Filho encarnado, não duvido em pronunciar ao cristão a mais nobre concepção de Deus. Mas se esta concepção não fosse senão um arco-íris pintado na nuvem, para desaparecer para sempre, não valeria nada o dia em que nossos olhos foram atraídos para ver o inatingível, com uma sublime visão que logo se vai derreter. O cristão não é melhor que a flor do campo, que hoje está e que se seca quando se levanta o sol com calor abrasador, a menos que Deus o confirme. Qual é a diferença entre o herdeiro do céu, o filho de Deus comprado com sangue, e a erva do campo?
Oh, que Deus lhes outorgue esta rica bênção, para que não sejam como o fumo de uma chaminé, que é rapidamente dispersado pelo vento: que sua bondade não seja como a nuvem da manhã, nem como o orvalho temporão que se evapora; senão que sejam confirmados, e que cada bem que tenham seja um bem permanente. Que seu carácter não seja como as letras escritas sobre areia, senão uma inscrição na rocha. Que sua fé não seja como “a urdidura sem marco de uma visão,” senão que esteja construída com material de pedra que aguentará esse horrível incêndio que consumirá a madeira, o feno e a ninhada do hipócrita. Que estejamos cimentados e arraigados no amor, que suas convicções sejam profundas. Que seu amor seja real. Que seus desejos sejam sinceros. Que sua vida inteira esteja estabelecida, fixada e confirmada, para que todos os fortes ventos do inferno e todas as tormentas da terra sejam incapazes de lhes perturbar.
Vocês sabem que consideramos que alguns cristãos estão bem confirmados há muito tempo. Tenho temor, na verdade, que hajam muitos que são velhos, mas que não tenham sido confirmados. Uma coisa é ter o cabelo branco pelos anos, mas outra coisa muito diferente é que obtenhamos sabedoria. Há alguns que não se tornam mais sábios apesar de toda a sua experiência. Ainda que seus dedos estejam bem cobertos pela experiência, não aprenderam nessa escola. Sei que há muitos velhos cristãos que podem dizer de si mesmos, e dizê-lo também com muita tristeza, que gostariam de voltar a ter suas oportunidades, para poder aprender mais, e poder estar mais confirmados. Lhes ouvimos cantar: 
“Descubro que sou um aprendiz, todavia,
Incapaz, débil e pronto para errar.”
Sem dúvidas, eu oro para que a bênção do apóstolo seja derramada em nós, independentemente que sejamos jovens ou velhos, mas especialmente naqueles que têm conhecido por muito tempo ao seu Senhor e Salvador. Vocês não devem estar sujeitos agora a essas dúvidas que maltratam aos bebês na graça. Não se lhes deve estar ensinando sempre os primeiros rudimentos: devem prosseguir para algo mais elevado. Estão se aproximando do céu; oh, a que se deve que não tenham chegado todavia a terra prometida, a essa terra que mana leite e mel? Certamente suas titubeações não combinam com os cabelos grisalhos. Dá a impressão que foram branqueando com a luz do sol do céu. Como é possível que seus olhos não dispensem algo dessa luz? Nós que somos jovens buscamos um exemplo em vocês, que são cristãos bem confirmados; e se lhes vemos duvidar, e lhes ouvimos falando com lábios temerosos, então nos abatemos de um alto degrau. Oramos por nós e por vós, para que esta bênção se cumpra em vocês, para que possam ser confirmados. Para que não se exercitem mais na dúvida. Para que conheçam seus interesses em Cristo. Para que se sintam seguros Nele. Para que descansando na rocha das eras possam saber que não perecerão enquanto estiverem fixados ali. De fato oramos por todos, independentemente de sua idade, para que nossa esperança esteja posta unicamente no sangue e na justiça de Jesus, e que esteja tão firmemente arraigada, que não seja sacudida jamais, senão que sejamos como o monte Sião, inabalável e que permanece para sempre.
Desta maneira tenho explicado sobre a segunda jóia desta bênção. Mas, lembrem-se, não podemos obtê-la senão depois de haver padecido um pouco de tempo. Não podemos ser confirmados exceto por meio do padecimento. É inútil esperar que estaremos bem arraigados sem que os ventos de Março não tenham soprado sobre nossas cabeças. Não esperemos que o jovem carvalho lance suas raízes tão profundamente como o carvalho velho. Esses velhos laços nas raízes, essas estranhas quebras dos galhos, todos falam das muitas tormentas que hão açoitado à antiga árvore. Mas são indicadores também das profundezas a que se submergiram as raízes; e todos dizem ao lenhador que espere partir primeiro uma montanha que arrancar esse carvalho de raízes. Devemos padecer um pouco de tempo, para logo sermos confirmados.
3. Agora vamos comentar a terceira bênção, que é o Fortalecimento. Ah, irmãos, esta é uma bênção muito necessária para todos os cristãos. Há alguns que parecem estar fixados e confirmados. Mas todavia carecem de força e de vigor. Me permitem dar-lhes um retrato de um cristão sem forças? Ali o têm. Ele tem apoiado a causa do Rei Jesus. Se vestiu de sua armadura; se alistou no exército celestial. Podem observá-lo? Está perfeitamente armado da cabeça aos pés, e leva consigo o escudo da fé. Podem ver também quão firmemente está confirmado? Mantém seu lugar, e não será movido dali. Mas, vejam-no, Quando usa sua espada, golpeia com pouquíssima força. Seu escudo, ainda que o sustenha tão firmemente como sua debilidade o permita, treme em seu punho. Ali está e não se moverá. Sem dúvidas, quão oscilante é a sua posição. Seus joelhos se chocam com espanto quando ouve o som e o ruído da guerra e do tumulto. Do que precisa este homem? Sua vontade é correcta, e seu coração está posto plenamente nas coisas boas. O que precisa? Necessita força. O pobre homem é fraco e se assemelha à uma criança. Seja que foi alimentado com comida mal temperada e insubstancial, ou por conta de algum pecado que o perseguiu, não tem força nem a vitalidade que deveria habitar um cristão. Mas uma vez que a oração de Pedro seja respondida para ele, quão forte se tornará. Em todo o mundo não há uma criatura tão forte como um cristão quando Deus está com ele.
Fale de Behemot! Não é nada senão algo muito pequeno. Seu poder é fraqueza quando se lhe compara ao crente. Fale de Leviatan! Que faz que o abismo seja branco! Ele não é o chefe dos caminhos de Deus. O verdadeiro crente é mais poderoso que ele. Nunca viram ao cristão quando Deus está com ele? Cheira a batalha desde longe, e clama em meio do tumulto: “Vamos! Vamos! Vamos!” Se ri de todas as hostes inimigas. Ou se comparas com Leviatan: se é arrojado em um mar em tribulação, dá chicotadas por todos os lados e faz que o abismo se torne branco com bênçãos. As profundezas não lhe surpreendem, nem teme as rochas; tem a proteção de Deus ao seu redor, e as águas não podem sufocar-lhe; e mais, se tornam um elemento de deleite para ele, quando por graça de Deus se regozija em meio das altas ondas.
Se querem uma prova de força de um cristão, somente têm que revisar a história, e poderão ver como os crentes apagaram a violência do fogo, fecharam as bocas dos leões, agitaram os punhos diante da pavorosa morte, se riram até do desprezo dos tiranos, e puseram em fuga aos exércitos inimigos, por meio do poder superior da fé em Deus. Rogo a Deus, meus irmãos, que lhes fortaleça este ano.
Os cristãos desta época são pessoas fracas. É algo notável que agora a grande maioria dos filhos nasce débil. Vocês me pedem as evidências disto. Posso fornecê-las de imediato. Vocês sabem que a Liturgia da Igreja da Inglaterra se instrui e se ordena que todos os filhos sejam submersos no batismo, exceto aqueles que tenham uma débil condição certificada. Agora, seria pouco compassivo imaginar que as pessoas sejam culpadas de falsidade quando cumprem o que consideram uma ordenança sagrada; e portanto, como quase todos os filhos são agora borrifados e não submersos, eu suponho que todos nascem fracos. Não vou dizer se isso explica o fato que todos os cristãos sejam tão débeis, mas é certo que não temos muitos gigantes cristãos em nossos dias.
Por aqui e por ali ouvimos de alguém, ao que somente lhe faz falta operar milagres nestes tempos modernos, e ficamos atónitos. Oh, que vocês tivessem fé como estes homens! Não creio que haja mais piedade agora do que se procurava ter nos dias dos puritanos. Creio que há muitos mais homens piedosos; mas enquanto a quantidade se multiplicou, temo que a qualidade tenha sido desprezada. Naqueles dias o ribeiro da graça era na verdade muito profundo. Alguns daqueles velhos puritanos, (quando lemos sobre sua devoção, e sobre as horas que passaram em oração), pareciam ter tanta graça como qualquer centena de nós. O ribeiro era muito profundo. Mas agora as margens perderam sua forma e grandes pastagens foram inundadas pela água. Até ali vamos bem. Mas ainda que a superfície tenha se expandido, temo que a profundidade tenha diminuído espantosamente. E esta pode ser a explicação: que devido a que nossa piedade se tornou mais superficial, nossa força se debilitou. Oh, que Deus lhes fortaleça este ano!
Mas recordem, se Ele o fizer, então terão que padecer. “Depois que tenhais padecido um pouco de tempo,” que Ele lhes fortaleça. As vezes fazem uma operação nos cavalos que alguém consideraria cruel: os cauterizam para fortalecer seus tendões. Agora, cada cristão antes que seja fortalecido deve ser cauterizado. Seus nervos e seus tendões devem ser fortificados com o ferro incandescente da aflição. Nunca serás forte em graça, a menos que primeiro padeças um pouco de tempo.
4. E agora me referirei a última das quatro bênçãos: “Estabelecimento.” Não direi que esta última bênção é maior que as outras três, mas é um degrau para cada uma delas; e é estranho dizê-lo, é muitas vezes o resultado da obtenção gradual das três bênçãos precedentes. “Estabelece-te!” Oh, quantos andam por aí que não se estabeleceram jamais. A árvore que é transplantada a cada semana morrerá rapidamente. E mais, se fosse trocada, não importa quão habilmente, uma vez ao ano, nenhum jardineiro esperaria fruto dela. Quantos cristãos existem que estão sendo transplantados constantemente, inclusive enquanto aos seus sentimentos doutrinários. Há alguns que crêem segundo o último pregador; e há outros que não sabem em quê crêem, mas crêem em quase tudo o que lhes falam.
O espírito de caridade cristã, tão cultivado nestes dias, e que todos amamos tanto, tem ajudado, temo, a trazer ao mundo uma espécie de latitudinarismo[1]; ou em outras palavras, os homens têm chegado a crer que não importa em quê creiam; que ainda que um ministro diga é assim, e o outro diga não é assim, sem dúvidas os dois estão no correto; que ainda que nos contradigamos absolutamente um ao outro, apesar disso, ambos temos a razão. Eu não sei onde fabricaram o juízo aos homens, mas a meu parecer, sempre se considera impossível crer em uma contradição. Não posso entender nunca como sentimentos tão contrários possam ser conformados à Palavra de Deus, que é a norma da verdade. Mas há alguns que são como um campanário sobre a torre de uma igreja, pois se voltam para onde sopre o vento. Como disse o bom senhor Whitefield: “seria mais fácil medir a lua para vestí-la, que identificar seus pensamentos doutrinários,” pois sempre estão variando e sempre estão trocando.
Agora, eu rogo que vocês sejam livrados disto, se é essa a vossa debilidade, e que possam ser estabelecidos. Que a intolerância seja arremessada para longe de nós. Sem dúvida, eu desejo que o cristão saiba o que considera que é verdade e logo o sustente. Tomem seu tempo para examinar a controvérsia, mas uma vez que tenham decidido, que não sejam convencidos com facilidade. Seja Deus verdadeiro, ainda que todo homem seja mentiroso; e sustenham que o que esteja de acordo com a Palavra de Deus um dia, não pode ser contrário a ela outro dia; que o que foi certo na época de Lutero e na época de Calvino deve ser certo agora; que as falsidades podem variar, pois têm uma aparência multiforme; mas a verdade é uma, é indivisível e para sempre a mesma. Que outros pensem o que queiram. Concedam maior latitude ao demais, mas vocês não se permitam a nenhuma falsidade. Permaneçam firmes e inabaláveis segundo lhes foi ensinado, e sempre busquem o espírito do apóstolo Paulo, “se alguém ensina um evangelho diferente do que haveis recebido, seja anátema”. Sem dúvida, como quero que estejam firmes em sua doutrina, minha oração é que estejam especialmente estabelecidos em vossa fé. Vocês crêem em Jesus Cristo, o Filho de Deus, e descansam nele. Mas algumas vezes vacilam; então perdem o vosso gozo e consolo. Eu peço para que sua fé esteja estabelecida, que nunca duvidem se Cristo é vosso ou não, senão que digam confiadamente: “Eu sei em quem tenho crido, e estou seguro que é poderoso para guardar o meu depósito”. Oro para que estejam estabelecidos em vossas metas e propósitos.
Há muitas pessoas cristãs que têm uma ideia muito boa em suas cabeças, mas nunca a implementam, porque perguntam ao amigo qual é a sua opinião. “Não é grande coisa,” responde. Por suposto que não. Quem tem em alta opinião as idéias dos outros? E de imediato, a pessoa que a concebeu renuncia a ela, e a obra nunca se completa. Quantos homens em seus ministérios começaram a pregar o Evangelho, e permitiram que algum membro da igreja, possivelmente algum diácono, lhe incitasse a orelha levando-se um pouco por essa direção. Mais tarde, algum outro irmão considerou conveniente incitá-lo em direção contrária. O homem perdeu o seu brio. Nunca se estabeleceu quanto ao que deve fazer; e agora se converteu em um simples lacaio, esperando a opinião de cada um, desejoso de adotar o que outros concebam que é o correto.
Agora, lhes peço que estejam estabelecidos em suas metas. Vejam qual é o lugar que Deus quer que ocupem. Parem ali, não saiam apesar de todas zombarias que tenham que suportar. Se crêem que Deus lhes chamou para uma obra, façam-a. Se os homens lhes ajudam, lhes agradeçam. Se não lhes ajudam, digam-lhes que se apartem de seu caminho ou serão atropelados. Que nada os intimide. Quem quiser servir ao seu Deus deve estar preparado algumas vezes a servir-lhe sozinho. Nem sempre lutaremos em meio as fileiras. Há momentos nos quais o Davis do Senhor deve pelejar sozinho com os Golias, e devem tomar consigo cinco pedras do riacho em meio ao escárnio de seus irmãos, e contudo, com suas armas, eles estarão confiados na vitória pela fé em Deus. Não permitam que lhes tirem da obra na qual Deus os pôs. Não se cansem de fazer o bem, pois ao seu devido tempo, colherão se não desfalecerem. Estejam estabelecidos. Oh, que Deus derrame esta rica bênção em vós.
Mas não estarão estabelecidos a menos que padeçam. Padecendo, ficarão em sua fé e estabelecidos em suas metas. Os homens são animais invertebrados nestes dias. Não contamos com os homens resistentes que sabem que têm razão e a sustentam. Ainda quando um homem esteja equivocado, alguém verdadeiramente admira sua retidão quando se levanta crendo que possui a razão e se atreve a enfrentar as ameaças do mundo. Mas quando um homem tem a razão, o pior que lhe pode ocorrer é que seja inconstante, que vacile, que os homens o intimidem. Lança isso para longe de ti, cavaleiro da santa Cruz, e seja firme se quer sair vitorioso. O coração desfalecente jamais tomou de assalto nenhuma cidade, e você nunca vencerá nem será coroado de honra, se teu coração não se endurece frente a cada investida e se não estás estabelecido em tua intenção de honrar ao teu Senhor e de ganhar a coroa.
Desta maneira termino de explicar a bênção.
II. Agora, lhes peço vossa atenção por mais alguns momentos, para observar AS RAZÕES PELAS QUAIS O APÓSTOLO ESPERAVA QUE ESTÁ ORAÇÃO FOSSE OUVIDA. Ele pedia que fossem aperfeiçoados, confirmados, fortalecidos e estabelecidos. Incredulidade sussurrou ao ouvido de Pedro: “Pedro, pedes demasiado. Sempre foste teimoso. Tu disseste: 'Manda que eu vá a ti sobre as águas.' Certamente que este é outro exemplo da tua presunção. Se tivesses dito: 'Senhor, santifica-me,' não teria sido uma oração suficiente? Não pediste demasiado?” “Não,” disse Pedro; e respondeu para a Incredulidade: “estou seguro que receberei o que tenho pedido; pois em primeiro lugar estou pedindo ao Deus de toda a graça: o Deus de toda graça.” Não somente o Deus das pequenas graças recebidas, senão o Deus da grandiosa graça ilimitada que está armazenada para nós na promessa, mas que todavia não temos recebido em nossa experiência. “O Deus de toda graça;” da graça que revive, que convence, que perdoa, que crê, o Deus de toda graça que consola, apoia, e sustêm. Certamente, quando viermos a Ele, não poderemos vir pedindo demasiado. Se Ele é o Deus, não de uma graça, senão de todas as graças; se nele está armazenada provisão infinita, ilimitada, inacabável, como poderíamos pedir demasiado, ainda que peçamos que cheguemos a ser perfeitos?
Crente, quando estiver de joelhos, lembre-se que estás indo até um Rei. Que suas petições sejam grandes. Imite o exemplo de um cortesão de Alexandre o Grande, que quando se lhe disse que podia receber o que pedisse como recompensa por seu valor, pediu uma soma de dinheiro tão grande que o tesoureiro de Alexandre recusou entregá-la sem falar primeiro com o monarca. Quando viu o monarca, este sorriu e lhe disse: “Em verdade é demasiado isso que pedes, mas não é demasiado para que Alexandre lhe conceda. Lhe admiro por sua fé em mim; entregue-lhe tudo o que pedir”. Me atreverei a pedir que meu temperamento colérico me seja tirado, que minha rebeldia seja extirpada, e minhas imperfeições sejam cobertas? Posso pedir ser semelhante a Adão no jardim, não, mais ainda, tão puro e perfeito como o próprio Deus? Posso pedir que um dia caminhe pelas ruas de ouro, e “cingido com as vestes do meu Salvador, santo como o santo,” estar no pleno brilho da glória de Deus, e clamar: “Quem acusará aos escolhidos de Deus?” Sim, posso solicitá-lo, e o terei, pois Ele é o Deus de toda graça.
Olhem novamente o texto, e vejam outra razão pela qual Pedro sabia que sua oração seria ouvida: “Mas o Deus de toda graça, que nos chamou.” Incredulidade poderia ter dito a Pedro: “Ah, Pedro, é verdade que Deus é o Deus de toda graça, mas Ele é uma fonte fechada, como águas seladas.” “Ah,” disse Pedro, “venha aqui, Satanás; não saboreias as coisas de Deus. Não é uma fonte selada de toda a graça, pois já começou a fluir.” “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou”. O chamado é a primeira gota de misericórdia que caiu nos lábios sedentos do moribundo. O chamado é o primeiro anel de ouro da corrente de eternas misericórdias. Não o primeiro em ordem de tempo com Deus, senão o primeiro em ordem de tempo conosco. O primeiro que conhecemos de Cristo em Sua misericórdia, é o que Ele clama: “Vinde a mim todos que estais cansados e sobrecarregados,” e que por meio de Seu doce Espírito se dirige a nós, de tal forma que obedecemos ao chamado e viemos a Ele.
Agora observem, se Deus me chamou, posso pedir-lhe que me confirme e guarde; posso pedir-lhe que conforme transcorram os anos, minha piedade não se apague; posso pedir que a sarça arda, mas que não se consuma, que a panela de farinha não escasseie e a vasilha de azeite não diminua. Me atreverei a pedir que até a última hora de vida possa ser fiel a Deus, porque Deus é fiel comigo? Sim, posso pedi-lo, e também o obterei: porque o Deus que chama dá o repouso. “Porque aos que antes conheceu, também os predestinou… E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”. Pensa em teu chamado, cristão, e tenha ânimo: “Porque irrevogáveis são os dons e o chamado de Deus”. Se Ele te chamou, nunca se arrependerá do que fez, nem cessará de abençoar e nem cessará de salvar.
Mas creio que há uma razão ainda mais poderosa: “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna.” Querido leitor, Deus te chamou? Sabes para quê te chamou? Primeiro te chamou a casa da convição, de onde te fez sentir teu pecado. Logo te chamou ao cimo do Calvário, de onde viste realmente teu pecado expiado e teu perdão selado com o sangue precioso. E agora Ele te chama. E de onde te chama? Ouço uma voz hoje: a incredulidade me diz que há uma voz que está me chamando para as ondas do Jordão. Oh, incredulidade! É verdade que minha alma tem que caminhar através das ondas tormentosas desse mar. Mas a voz provém das profundezas da tumba, provém da glória eterna. Ali onde Jeová se senta resplandecente em Seu trono, rodeado de querubins e serafins, desde o brilho que os anjos não se atrevem a olhar, escuto uma voz: “Venha a Mim, pecador lavado com o sangue, venha a Minha glória eterna.” Oh, céus! Não é este um maravilhoso chamado? Ser chamado à glória, chamado às ruas brilhantes e às portas de pérolas, ser chamado a ouvir as harpas e hinos de felicidade eterna, e ainda melhor, ser chamado ao peito de Jesus, chamado a ver a face de Seu Pai, chamado não à glória eterna, senão à Sua glória eterna, chamado à essa mesma glória e honra com as quais Deus se cercou para sempre.
E agora amados, é demasiado grande qualquer oração depois disto? Deus me chamou ao céu, e há algo na terra que Ele me negue? Se Ele me chamou para morar no céu, acaso não é necessária a perfeição para mim? Por isso, não posso pedi-la? Se Ele me chamou à glória, não é necessário que eu seja fortalecido para combater em meu caminho até lá? Acaso não posso pedir para ser fortificado? E mais, se há na terra uma misericórdia demasiadamente grande para que pense nela, demasiadamente grande para ser concebida, demasiadamente pesada para que minha língua a leve diante do trono em oração, Ele fará por mim muitíssimo mais abundantemente do que o que eu possa pedir, ou que possa alguma vez imaginar. Sei que o fará, pois me chamou à Sua glória eterna.
A última razão, pela qual o apóstolo esperava que sua bênção fosse derramada, é esta: “Que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo”. É um fato singular que nenhuma promessa seja tão doce para o crente como aquela na qual o nome de Cristo é mencionado. Se tenho que pregar um sermão de consolo para cristãos deprimidos, nunca escolheria um texto que não me permitisse guiar a pessoa deprimida até a cruz. Não lhes parece demasiado, irmãos e irmãs, neste dia, que o Deus de toda graça seja seu Deus? Acaso não ultrapassa a vossa fé, que Ele efetivamente os haja chamado? Não se perguntam as vezes se em verdade foram chamados? Quando pensam na glória eterna, surge a pergunta: “Eu a gozarei alguma vês? Alguma vez verei a face de Deus com aceitação?” Oh amados, quando ouvem de Cristo, quando sabem que Sua graça vem por meio de Cristo, e o chamado através de Cristo, e a glória por meio de Cristo, então dizem: “Senhor, posso crer agora, se é por meio de Jesus Cristo”. Não é difícil crer que o sangue de Cristo fora suficiente para comprar todas as bênçãos para mim. Se eu vou ao tesouro de Deus sem Cristo, temo pedir qualquer coisa, mas quando Cristo está comigo, então posso pedir-lhe tudo. Com certeza creio que Ele o merece ainda que eu não o mereça. Se posso argumentar Seus méritos, então não tenho medo de suplicar. Acaso a perfeição é uma bênção demasiadamente grande para que Deus a dê a Cristo? Oh, não. Guardar a estabilidade e a preservação dos comprados com o sangue, é, acaso, uma recompensa demasiadamente grande para as terríveis agonias e sofrimentos do Salvador? Não o creio. Então podemos suplicar com confiança, porque tudo vem a nós por meio de Cristo.
Para concluir, quero fazer este comentário. Desejo, meus irmãos e irmãs, que durante este ano possam viver mais perto de Cristo do que hajam vivido antes. Estejam convencidos disto: quando pensamos muito em Cristo é quando pensamos menos em nós mesmo, em nossas aflições, e nas dúvidas e temores que nos assediam. Comecem a fazer isto neste dia, e que Deus lhes ajude. Não permitam que passe nenhum dia sobre vossas cabeças, sem uma visita ao jardim do Getsêmani e à cruz do Calvário.
E quanto a alguns de vocês que não são salvos, e conheceram ao Redentor, Deus quer que venham a Cristo neste mesmo dia. Me atrevo a dizer que vocês crêem que vir a Cristo é algo terrível: que necessitam estar preparados antes que possam vir; que Ele será duro e rigoroso convosco. Quando os homens têm que ir ao advogado, podem tremer; quando têm que visitar ao médico, podem sentir temor; ainda que ambos tipos de profissionais não sejam bem-vindos, em muitas ocasiões são necessários. Mas quando venham a Cristo, podem vir com ousadia. Não precisam pagar honorários; não é necessária preparação. Podem vir tal como são. Martinho Lutero fez um comentário cheio de valor quando disse: “eu correria aos braços de Cristo, ainda que tivesse uma espada desembainhada em Sua mão.” Agora, Ele não tem uma espada desembainhada, senão que tem Suas feridas nas mãos. Corre aos Seus braços, pobre pecador. “Oh,” tu perguntas: “posso vir?” Como podes fazer esta pergunta? Se te ordena vir. O grande mandamento do Evangelho é: “Crê no Senhor Jesus Cristo.” Os que desobedecem este mandamento, desobedecem a Deus. É tão mandamento de Deus que o homem creia em Cristo, como o é que devemos amar a nosso próximo. Agora, como é um mandamento, eu tenho certamente o direito de obedecê-lo. Vocês podem ver que não há nenhuma dúvida; um pecador tem a liberdade de crer em Cristo porque lhe foi dito que o faça. Deus não lhe teria dito que fizesse algo que não devas fazer. Se te permite que creias. “Oh,” dirá alguém, “isso é tudo o que necessito saber. Eu creio que Cristo pode salvar perpetuamente. Posso descansar minha alma nele, e dizer que me submerja ou nada: bendito Jesus, Tu és o meu Senhor?” Dizes: Posso fazê-lo? Homem, se te manda que o faças! Oh, que possas fazê-lo. Lembre-se, nisto não está arriscando nada. O risco está em não fazê-lo. Arroja-te em Cristo, pecador. Descarte qualquer outra dependência e descanse unicamente nele. “Não,” dirá alguém, “eu não estou preparado.” Preparado, amigo? Então não me entendeste. Não é necessária nenhuma preparação; se trata de vir simplesmente como és. “Oh, não sinto minha necessidade o suficiente.” Eu sei que não. Mas, o que isso tem a ver? Se te ordena que se lances em Cristo. Não importa quão negro ou quão mau seja, confia nele. O que crê em Cristo será salvo, ainda que seus pecados sejam muitos; o que não crê será condenado, ainda que seus pecados sejam poucos. O grande mandamento do Evangelho é: “Crê.” “Oh,” alguém dirá, “devo dizer que Cristo morreu por mim?” Ah, eu não disse isso, tu o saberás logo. Essa pergunta não tem nada que ver contigo agora, teu assunto é crer em Cristo e confiar nele; arrojar-te em Seus braços. E que o Deus Espírito te conduza suavemente agora para que o faças.
Agora, pecador, aparta as tuas mãos de tua justiça própria. Abandona toda ideia de tornar-te melhor por meio de tuas próprias forças. Se deixe levar pela promessa. Diga:
“Ainda que não tenha nenhum argumento,
Exceto que Teu sangue foi derramado por mim,
E que me ordenas a vir a Ti;
Oh, Cordeiro de Deus! Eu venho, eu venho.”
Não podes confiar em Cristo para descobrir depois que te enganaste.
Agora, tenho me expressado com clareza? Se tiver aqui um grupo de pessoas endividadas, e se eu dissesse: “se vocês me confiarem suas dívidas, serão pagas, e nenhum credor os molestará adiante,” me entenderiam claramente. Como é que não podem entender que confiar em Cristo eliminará todas as vossas dívidas, removerá todos os vossos pecados, e serão salvos eternamente? Oh, Espírito do Deus vivo, abra o entendimento para recebê-lo, e o coração para obedecê-lo, e que muitas almas se lancem sobre Cristo. Sobre todos eles, assim como em todos os crentes, eu pronuncio a bênção, com a qual os despedirei: “Mas o Deus de toda a graça, que nos chamou à sua glória eterna em Jesus Cristo, depois que tenhais padecido um pouco de tempo, ele mesmo os aperfeiçoe, confirme, fortaleça e estabeleça!”. Amém
___________________
ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA CONVERSÃO DE MUITAS ALMAS PARA CRISTO.
Tradução: Junior Rubira
Revisão e diagramção: Armando Marcos
Texto original: Una Bendicion de Año Nuevo, de Allan Román, traduzido de A NEW YEAR’S BENEDICTION, do Volume 6 do New Park Street Pulpit.



[1] Latitudinarianismo – foi um movimento de parte da Igreja Anglicana de alguns clérigos no século 18, que defendiam a tolerância religiosa e sustentou um meio termo entre o dogmatismo religioso e o ceticismo

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ignorando Cristo nas festas de fim de ano


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Como pode?

A grande parte da humanidade, incluindo grande parte dos que se dizem cristãos simplesmente ignoram Jesus Cristo até mesmo nas datas festivas de fim de ano. Repito a pergunta: Como pode? Como é possível?

Será que nem por 1 minuto as pessoas não parem pra pensar que Jesus dividiu o calendário da humanidade em dois (AC e DC), que foi a pessoa mais importante que viveu entre nós ao ponto de mudar todos os rumos da nossa civilização. Será que isso não gera nenhum tipo de reflexão?

Será que não percebemos que trocamos totalmente a figura do messias, o Deus encarnado, o Deus que viveu entre nós para o nosso resgate, veio como humano viver tudo o que vivemos, os problemas, as aflições, os desafios, as alegrias, as tristezas, veio humildemente passar por tudo isso. Trocamos essa maravilhosa realidade, essa espetacular verdade por uma velha figura de uma pessoa que traz presentes para as crianças. Afinal de contas é só sobre isso que se resume nosso natal.

Será que não percebemos o absurdo de comemorar um novo ano, vivendo sempre os mesmos vícios. Buscando satisfações pessoais que nunca serão preenchidas senão por ELE que é nossa verdadeira alegria e satisfação.

Comemoramos um novo ano daquele mesmo calendário que ELE modificou. Mas de que importa? O importante é ser feliz...

As pessoas não pensam nem por 1 segundo na sua eternidade...

Não nessa época de festas...

A vida espiritual das pessoas nessa época se resume em pular umas ondinhas, mandar uma oferenda, estar vestindo a cor certa na virada do ano...

E Jesus? Onde fica na vida das pessoas?

Para a grande maioria Jesus foi um grande personagem, mas nunca um grande modelo a ser seguido...

Triste... muito triste...

Não faça como a maioria, não ignore a Cristo neste fim de 2011.

Faça a sua parte, aproveite as oportunidades nos encontros em família e amigos e fale da importância de Jesus na nossa vida, de como Ele está vivo e continua influenciando muitas pessoas, que Ele ainda salva, que Ele ainda transforma vidas.

Lembre as pessoas do real significado de todas essas comemorações, ore, clame, busque...

Que tenhamos um 2012 muito mais próximos do grande modelo que seguimos: CRISTO.

Que Jesus nos abençoe, a ELE toda a glória pra sempre.

Fernando.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Mistério da Eleição


Duas palavras bastam




“Socorro, Senhor!” (Sl 12.1). 
 
A oração em si é extraordinária, pois é curta, mas propícia, judiciosa e sugestiva. Davi lamentou a escassez de homens fies, e por isso ergueu seu coração em súplica – quando a criatura pecou, ela fugiu do Criador. Ele sentia evidentemente sua própria fraqueza, ou não teria clamado por socorro; mas, ao mesmo tempo, intentou honestamente empenhar-se pela causa da verdade, pois a palavra “socorro” é inaplicável onde nós mesmos nada fazemos.
Há muito de retidão, clareza de percepção e distinção de elocução em sua súplica de duas palavras; muito mais, certamente, do que as efusões desconexas de certos professos. O salmista vai diretamente a seu Deus, com a oração bem ponderada; ele sabe o que está procurando e onde encontrá-lo. Senhor, ensina-nos a orar da mesma bendita maneira.
 
As ocasiões para o uso desta oração são freqüentes. Nas aflições providenciais, quão adequada é ela para os crentes provados quando falham seus ajudadores. Estudantes, em dificuldades doutrinais, podem muitas vezes conseguir ajuda ao erguer este clamor: “Socorro, Senhor” ao Espírito Santo, o grande Ensinador.
 
Os guerreiros espirituais em conflitos íntimos podem buscar reforços no trono, e este será o modelo para sua petição. Obreiros no labor celestial podem obter graça em tempo de necessidade. Os pecadores questionadores, em dúvidas e sobressaltos, podem elevar a mesma súplica angustiante; na verdade, em todos estes casos, tempos e lugares, isto transformará as circunstâncias das almas necessitadas. “Socorro, Senhor” ajusta-se a muitas situações, como morte, sofrimento, trabalho, regozijo ou pesar. Nele, nosso socorro é encontrado; não seja descuidado em clamar a Ele. 
 
A resposta à oração é certa, se for sinceramente oferecida por intermédio de Jesus. O caráter do Senhor assegura-nos que Ele não deixará seu povo; sua relação como Pai e Esposo garante-nos sua ajuda; sua dádiva em Jesus é um penhor de toda coisa boa; e sua firme promessa permanece – “NÃO TEMAS, EU TE AJUDAREI.”

Charles H. Spurgeon

[Via]

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Mais Terrivel Verdade Das Escrituras


sábado, 24 de dezembro de 2011

O Natal e o Nome do Menino


“Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mateus 1:21).
Não precisamos ir mais longe do que isso para entender o significado do Natal. Está tudo no nome do Menino.
De acordo com o relato acima do Evangelho de Mateus, o nome de Jesus Cristo foi dado pelo anjo Gabriel quando anunciou seu nascimento a José, desposado com a virgem Maria. Gabriel não somente disse que Maria estava grávida pelo Espírito Santo de Deus como orientou José a chamar o filho de “Jesus”.

A razão para este nome, cuja raiz em hebraico significa “salvar,” é que aquele menino, filho de Maria e Filho de Deus, haveria de salvar o seu povo dos seus pecados, conforme anunciou o anjo.

Não precisamos ir mais longe do que isso para entender o significado do Natal. Está tudo no nome do Menino. No nome dele, Jesus, temos a razão para seu nascimento, a sua identidade e a missão de sua vida. Em outras palavras, aquilo que o Natal realmente representa.

A razão do seu nascimento é simplesmente esta, que somos pecadores, estamos perdidos, não podemos resolver este problema por nós mesmos e precisamos desesperadamente de um Salvador, alguém que nos livre das consequências passadas, presentes e futuras dos nossos erros. Deus atendeu nossa necessidade escolhendo um homem como nós para ser nosso representante e Salvador, alguém que partilhasse da nossa humanidade e fosse um de nós. Esse homem nasceu há dois mil anos naquela manjedoura da cidade de Belém, num pais remoto, lá no Antigo Oriente. E ganhou o nome de Jesus por este motivo.

Sua missão era assumir nosso lugar como nosso representante diante de Deus e sofrer todas as consequências de nossos pecados, erros, iniqüidade, desvios e desobediências. Em vez de castigar-nos com a morte eterna, como merecemos, Deus faria com que ele a experimentasse em nosso lugar, que ele experimentasse toda dor e sofrimento conseqüentes dos nossos pecados. Essa missão foi revelada logo ao nascer pelo anjo Gabriel ao recitar seu nome a José: Jesus.

Para nos salvar de nossos pecados, ele teria de sofrer e morrer, ser sepultado, ficar sob o domínio da morte e desta forma pagar inteiramente nossa dívida para com Deus. Somente assim poderíamos ser salvos das consequências eternas de nossa desobediência. Mas, para que os benefícios de seu sofrimento e de sua morte pudessem ser transferidos a outros seres humanos, ele não poderia ter pecado ou culpa pois, senão, ao morrer, estaria simplesmente recebendo o salário do seu próprio pecado. Mas, se ele fosse inocente, sem pecado e perfeito, sua morte teria valor para os pecadores. Por este motivo, ele foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, ainda virgem, Filho de Deus, sem pecado. O Salvador tinha que ser Deus e homem ao mesmo tempo.

Clique para baixar este texto

Quando um colunista, que objeta ao nascimento sobrenatural de Jesus, escreveu recentemente em um jornal de grande circulação de São Paulo que virgens não dão à luz todos os dias, ele estava mais certo do que pensava. Esse é o único caso. Jesus é único. Deus e homem numa só pessoa. Nem antes e nem depois dele virgens engravidam sobrenaturalmente. Da mesma forma que Deus não cria mundos todos os dias, também não gera salvadores de virgens cotidianamente. Pois nos basta este.

O famoso teólogo suíço Emil Brunner disse que todo homem tem um problema no passado, no presente e no futuro. No passado, culpa. No presente, medo. E no futuro, a morte. Jesus nos salva de todas estas consequências do pecado: nos perdoa da culpa de nossos erros passados, nos livra no presente do medo ao andar conosco e nos livrará da morte pois ressurgiu dos mortos e vive à direita de Deus. Um dia haverá de nos ressuscitar.

É isto que o Natal representa. É por isto que os cristãos o celebram com tanta gratidão e alegria. Nasceu o Salvador. Nasceu Jesus! Como este anúncio alegra o coração daqueles que têm culpa, sentem medo e sabem que vão morrer!
Por Augustus Nicodemus Lopes | tempora-mores.blogspot.com

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Reconhecendo a tua eleição!



Reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição.
1 Tessalonicenses 1.4
Muitas pessoas querem conhecer sua eleição antes mesmo de olharem para Cristo; mas não podem conhecê-la deste modo, porque a eleição só pode ser encontrada por olharmos para Jesus (ver Hebreus 12.2). Se você deseja se certificar de sua própria eleição, assegure seu coração diante de Deus fazendo as seguintes perguntas: Você acha que é um pecador culpado e perdido? Então, corra imediatamente para a cruz do Senhor Jesus e diga-Lhe isto. Diga-Lhe que você leu nas Escrituras: "O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (João 6.37); e que Ele mesmo disse: "Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores" (1 Timóteo 1.15). Olhe para Jesus e creia nEle, assim você comprovará imediatamente a sua eleição. Se você se entregou completamente a Cristo e creu nEle, você é um dos eleitos de Deus.
 
No entanto, se você parar e disser: "Não, primeiramente quero saber se eu sou um eleito", você não sabe realmente o que está pedindo. Venha a Jesus assim como você está, embora seja sempre culpado. Abandone toda a sua curiosa investigação a respeito da eleição. Venha imediatamente a Cristo e esconda-se em seus ferimentos, assim, conhecerá a sua eleição. A segurança proveniente do Espírito Santo lhe será dada, de modo que você poderá dizer: "Sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia" (2 Timóteo 1.12).
 
O Senhor Jesus Cristo estava no conselho eterno. Ele pode lhe dizer se você é um dos eleitos ou não. Mas você não pode conhecer isso de qualquer outra maneira. Venha a Jesus e coloque nEle a sua confiança. A resposta dEle será: "Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí" (Jeremias 31.3). Assim, não haverá dúvida de que Ele o escolheu, quando você escolheu a Ele. 
 
Filhos somos nós, por meio da eleição de Véus; Nós, os que cremos em Jesus Cristo.

Charles H. Spurgeon

[Via]

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Como saber se nossa motivação é errada?


http://thinkoutsidebr.files.wordpress.com/2009/01/motivacao.jpg?w=425&h=282


Atos 28-6: Mas esperavam que ele viesse a inchar ou cair morto de repente. Mas como depois de muito esperar, vendo que nenhum mal lhe sucedia, mudando de parecer diziam que era um deus.

Isso tudo aconteceu com o apóstolo Paulo, em sua viagem para ser apresentado diante de César para ser julgado, onde tiveram que ficar em uma ilha por determinado tempo, a fim de que voltassem em outro barco, já que o que eles estavam, havia sido destruído, e os moradores da ilha, os acolheram com hospitalidade, mas fizeram várias suposições e prejulgamentos, baseados simplesmente em suas próprias vontades ou superstições.

Trazendo para os dias de hoje, analisemos quantos que se dizem cristãos, não são iguais aos bárbaros da ilha de Malta? São levados a julgamentos prematuro, baseados em sua própria assertividade de vida e experiências, e nunca na palavra do Senhor? Os bárbaros não conheciam Paulo, e prontamente o julgaram um assassino pela superstição da víbora mordendo sua mão, o condenaram antes mesmo de saber de que ele era acusado, foram rápidos para julgar, nem sequer se preocuparam em perguntar a ele o que ocorria, ou de conhecê-lo, mas pela sua cultura de aprendizado, foram levados a interpretar como já haviam aprendido anteriormente, não pelas próprias descobertas e sim pelo ensino passado.

Trazendo para os dias de hoje, quantos que se proclamam cristãos, são ensinados e passam adiante da mesma forma que aprenderam? Quantos sequer buscam saber se o que aprenderam está em conformidade com as Escrituras? Quantos são velozes para condenação e tardios para o arrependimento e reconhecimento do erro? Quantos nessa geração realmente tem humildade por reconhecer que estavam errados e mudar de direção quando a Bíblia assim os ensinar? Quantos dependem de superstição ou misticismo para própria confirmação das atitudes de Deus?

Os moradores da ilha de Malta, passaram de um estágio probatório de assassino, que consideravam Paulo, para um julgamento de Deus, simplesmente porque nada acontecera quando ele foi mordido pela víbora, mas não procuraram saber de quem Paulo era servo naquele momento, ou de onde poderia vir todo aquele poder, simplesmente se admiraram por aquele homem não morrer contaminado pelo veneno da víbora, simplesmente esqueceram a primeira parte do julgamento que anteriormente haviam pensado, sobre ele ser um assassino, e o transformaram em um deus, simplesmente baseado novamente em suas próprias opiniões, a base dessas opiniões eram neles mesmos.

Trazendo para os dias de hoje, pessoas que se dizem cristãs, não buscam saber quem realmente é Cristo, estão muito mais preocupadas nos sinais do que Nele e em quem o enviou, trocam a glória de Deus, pela glória de homens, (Jo 12:43) somente por estes estarem na liderança, mas sequer constatam se seus ensinamentos provém realmente da bíblia, simplesmente porque aprenderam assim e continuam a passar adiante, igual foi com o julgamento de Paulo, as pessoas procuram a primeira oportunidade para poder idolatrar outros homens, com o falso pretexto de que buscam a Deus, em nenhum momento nas escrituras existe outro caminho a Deus, que não seja Cristo (Jo 14:6), então como pode pensarem que suas orações não podem ser ouvidas pelas suas próprias bocas, se forem com os propósitos de Cristo e através dele? Que são dependentes de um deus, como os bárbaros assim classificaram a Paulo, pelos sinais?

Que nossa geração não seja somente uma geração chamada de cristãos nominais, que nos contentamos com falsos ensinamentos, quer eles motivados pelo erro ou pelo engano, onde superabundou misticismo, e que venhamos a nos contentar com a Palavra de Deus, pura e simples chamada Bíblia, que possamos realmente ser diferentes do mundo, não sendo motivados por sinais e nomenclaturas religiosas, nas quais Jesus tanto condenou (Jo 3:3), examinemos a Bíblia e oremos pelo convencimento do Espírito Santo em nossas vidas e na de todos!

Glorias a Deus.

Guinho

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

[Os Meios da Graça] Leitura Bíblica (3)


Formas erradas e corretas de ler as Escrituras

No artigo “Transformando sua Leitura da Bíblia”, Dane Ortlund aponta 6 formas incorretas de se ler a Bíblia e o resultado de cada uma:
A Abordagem Mina de Ouro – ler a Bíblia como uma mina vasta, cavernosa e sombria, onde ocasionalmente tropeça-se em uma pedra de inspiração. Resultado: leitura confusa.
A Abordagem Heróica – ler a Bíblia como um hall da fama moral que dá um exemplo após outro de gigantes espirituais que devem ser imitados. Resultado: leitura desesperadora.
A Abordagem das Regras – ler a Bíblia procurando mandamentos para obedecer a fim de sutilmente reforçar um sentimento de superioridade pessoal. Resultado: leitura farisaica.
A Abordagem Artefato – ler a Bíblia como um documento antigo sobre eventos no Oriente Médio há algumas centenas de anos que são irrelevantes para minha vida hoje. Resultado: leitura chata.
A Abordagem Manual de Instruções – ler a Bíblia como um mapa que me diz onde trabalhar, com quem casar e que xampu usar. Resultado: leitura ansiosa.
A Abordagem Doutrinária – ler a Bíblia como um repositório teológico para sacar munição para meu próximo debate teológico na Starbucks. Resultado: leitura fria.
Apesar de haver algo de verdade em cada abordagem acima, sozinhas elas são insuficientes. Contudo, provavelmente, a abordagem mais comum em nossos dias é a abordagem autoajuda. J.I. Packer em “Lendo a Bíblia Corretamente” nos alerta:
A verdade é que muitos de nós têm perdido a capacidade de ler a Bíblia. [...] Quando você toma qualquer outro livro, trata-o como uma unidade. Você procura o enredo ou a linha principal do argumento e o segue até o fim. [...] Mas, quando se trata das Escrituras Sagradas, nosso comportamento é diferente. Em primeiro lugar não estamos habituados a tratá-las como um livro, uma unidade, de modo algum, mas simplesmente como uma coleção de provérbios e histórias separadas. Nós supomos, antes de olhar para os textos, que o conteúdo deles (ou, pelo menos, dos que nos afetam) é uma advertência moral ou conforto para os que estão em tribulação.
Portanto os lemos (quando lemos) em pequenas doses, só alguns versículos de cada vez. Não atravessamos um livro todo, muito menos os dois Testamentos como um todo… O resultado é que nunca conseguimos ler a Bíblia. Presumimos que estamos manejando as Escrituras Sagradas de maneira verdadeiramente religiosa; mas na verdade nosso uso delas é bastante supersticioso…
Packer nos mostra que a consequência de não entender a Bíblia como um todo é uma leitura supersticiosa. Logo, parte da forma de ler a Bíblia corretamente está em lê-la como uma unidade apontando para Cristo. Ortlund comenta:
Em um debate teológico com os PhDs religiosos de sua época, Jesus afirmou àqueles que alegavam ter Moisés como patriarca: “Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito” (João 5.46). É assim que você lê o Antigo Testamento?
A teologia bíblica molda nossa leitura da Bíblia ao alinhá-la à leitura do próprio Jesus – a saber, a leitura da Palavra de Deus como boas novas historicamente fundamentadas a respeito da graça de Deus através do Filho de Deus para o povo de Deus, para a glória de Deus.
[...] A Bíblia é o relato autobiográfico de Deus da sua missão pessoal de resgate para restaurar um mundo perdido por meio de seu Filho. Cada verso contribui com essa mensagem. A Bíblia não é discurso motivacional. É Boa Notícia.
Sendo assim, precisamos destruir o ídolo do ego para podermos contemplar a glória de Deus nas Escrituras. David Wells em “A Bíblia não é Autoajuda” falando sobre o assunto, diz:
[...] qual é a atitude certa? É dizer a si mesmo que você está ali para ouvir de Deus, não para ouvir a si mesmo. Você está ali para ser tratado, desafiado, e, sim, mesmo repreendido por Deus, através da verdade de sua Palavra.
[...] Deus, portanto, não está lá para nosso uso quando precisamos dele; estamos aqui na Terra para que ele nos use. Ele não está lá para nosso benefício como se ele fosse um produto; nós estamos aqui para seu serviço.
E você já percebeu que aqueles na Escritura que mais o serviram, mais sofreram fielmente, foram mais atribulados, e foram mortos? Querer conhecer a Deus é um negócio arriscado, portanto esqueça a leitura da Escrita de maneira que você possa se sentir melhor sobre si mesmo. Cristo, como aprendemos em As Crônicas de Nárnia, não é um leão domesticado. No entanto, ele é bom.
Resumindo, não devemos ler a Bíblia de forma supersticiosa, como uma caixinha de bênção e promessas separadas do contexto geral. Sim, Deus nos dá muitas promessas e devemos prestar atenção a elas; mas se não colocarmos Deus como Deus, poderemos estar tentando usá-Lo para nosso benefício, no lugar de nos colocarmos como servos humildes.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Impossível a ímpios e cristãos nominais




Agrada-te do SENHOR. Salmos 37.4
O ensino destas palavras tem de ser muito surpreendente àqueles que são estranhos à piedade vital. Mas para o crente sincero este ensino é apenas a repetição de uma verdade reconhecida. A vida do crente é descrita como agradar-se do Senhor; e somos assegurados do grande fato de que o verdadeiro cristianismo transborda felicidade e alegria. Pessoas ímpias e cristãos nominais nunca vêm o cristianismo autêntico como algo que produz gozo.

Para eles, o verdadeiro cristianismo é um serviço, dever ou necessidade; nunca, porém, deleite ou satisfação. Se de algum modo eles participam do cristianismo, o fazem porque desejam obter benefícios pessoais ou porque não ousam se comportar de outra maneira.

O pensamento de deleite no cristianismo é tão estranho para muitas pessoas, que duas palavras do vocabulário delas têm de permanecer separadas uma da outra: "santidade" e "deleite". Mas os crentes que conhecem a Cristo entendem que deleite e fé estão unidos de tal modo que as portas do inferno não podem prevalecer para separá-las. Aqueles que amam a Deus com todo o seu coração descobrem que os caminhos dEle "são caminhos deliciosos, e todas a suas veredas, paz" (Provérbios 3.17).

Tais alegrias, fartos deleites e venturas abundantes são descobertos, de tal forma, pelos santos, em seu Senhor, que, ao contrário de servi-Lo de forma costumaria, eles O seguiriam mesmo que todo o mundo banisse o nome dEle como mau. Nossa fé não é algemas, assim como a confissão de ser verdadeiro cristão não é escravidão. Não somos arrastados à santidade, nem empurrados ao dever. Não, a nossa piedade é o nosso prazer; nossa esperança é a nossa felicidade; e nosso dever é o nosso deleite. Contentamento e religião verdadeira são tão aliadas quanto a flor e a raiz — tão indivisíveis quanto a verdade e a certeza. Elas são, de fato, duas jóias preciosas, brilhando lado a lado, numa armação de ouro.

Charles H. Spurgeon

domingo, 18 de dezembro de 2011

[Os Meios da Graça] Leitura Bíblica (2)


Thomas Watson – Como Aproveitar ao Máximo a sua Leitura da Bíblia

1. Remova obstáculos. (a) remova o amor por todo e qualquer pecado (b) remova as distrativas preocupações deste mundo, especialmente a cobiça [Mt 13:22] (c) não faça piadas com a Bíblia e a partir da Bíblia.

2. Prepare seu coração. [1 Sm 7:3] Assim: (a) recolhendo seus pensamentos (b) eliminando sentimentos e desejos impuros (c) não vindo à Palavra apressada ou negligentemente.

3. Leia com reverência, considerando que cada linha é Deus que fala diretamente com você (2 Tm 3:16-17; Sl 19:7-11).

4. Leia os livros da Bíblia em ordem.

5. Obtenha uma verdadeira compreensão da Escritura. [Sl 119:73] isto é melhor alcançado comparando partes correlatas da Bíblia entre si.

6. Leia com seriedade. [Dt 32:47] A vida cristã deve ser encarada com seriedade já que requer esforço [Lc 13:24] e não falhar [Hb 4:1].

7. Persevere em lembrar-se do que você lê. [Sl 119:52] Não deixe que seja roubado de você [Mt 13:4 ,19]. Se o que você lê não fica na sua memória é improvável que seja de muito benefício para você.

8. Medite no que lê. [Sl 119:15] A palavra hebraica para “meditar” significa “estar intensamente na mente”. Meditação sem leitura é errada e tendente a equívocos; leitura sem meditação é estéril e infrutífera. Significa incitar os afetos, ser aquecido pelo fogo da meditação [Sl 39:3].

9. Leia com um coração humilde. Reconheça que você é indigno da revelação de Deus a você [Tg 4:6]

10. Acredite que tudo é a Santa Palavra de Deus. [2 Tm 3:16] Nós sabemos que nenhum pecador poderia tê-la escrito devido ao modo com ela descreve o pecado. Nenhum santo poderia blasfemar contra Deus fingindo que sua própria Palavra seria a de Deus. Nenhum anjo poderia tê-la escrito pela mesma razão. [Heb 4:2]

11. Valorize a Bíblia grandemente. [Sl 119:72] Ela é a sua tábua de salvação; você nasceu por meio dela [Tg 1:18]. Você precisa crescer por meio dela [1 Pd 2:2] [cf. Jó 23:12].

12. Ame a Bíblia ardentemente [Sl 119:159].

13. Leia-a com um coração honesto. [Lc 8:15] (a) Disposto a conhecer toda a vontade de Deus (b) lendo para ser transformado e melhorado por ela [Jo 17:17].

14. Aplique a você mesmo tudo o que lê, tome cada palavra como dita para você. Sua condenação de pecados como a condenação ao seu próprio pecado; a obrigação que ela requer como o dever que Deus requerer de você [2 Rs 22:11].

15. Preste muita atenção aos mandamentos da Palavra tanto quanto às promessas.Pense em como você precisa de direção tanto quanto precisa de conforto (Sl 119:9-11).

16. Não se deixe levar pelos detalhes secundários, antes tenha certeza de prestar atenção mais às grandes coisas [Os 8:12].

17. Compare-se com a Palavra. Como fica essa comparação? Seu coração é parecido com uma transcrição dela, ou não? (Tg 1:21-25)

18. Preste atenção especial àquelas passagens que falam à sua situação individual, particular e presente. Por exemplo: (a) Aflição – [Hb 12:7, Is 27:9, Jo 16:20, 2 Co 4:17]. (b) Senso da presença e do sorriso de Cristo retirado -[Is 54:8, Is 57:16, Sl 97:11] (c) Pecado – [Gl 5:24, Tg 1:15, 1 Pe 2:11, Pv 7:10;22-23, Pv 22:14] (d) Incredulidade -[Is 26:3, 2 Sm 22:31, Jo 3:15, 1 Jo 5:10, Jo 3:36]

19. Preste especial atenção aos exemplos e vidas das pessoas na Bíblia como sermões vivos. (a) Castigos [Nabucodonosor, Herodes, Nm 25:3-4;9, 1 Rs 14:9-10, At 5:5,10, 1 Co 10:11, Jd 7] (b) Misericórdias e libertações [Daniel, Jeremias, os 3 jovens no forno flamejante]

20. Não pare de ler a Bíblia até que você tenha seu coração aquecido. [Sl 119:93] Não deixe que ela apenas te informe, mas também que ela te inflame [Jr 23:29, Lc 24:32].

21. Ponha em prática o que você lê [Ps 119:66, Ps 119:105, Deut 17:19].

22. Cristo é, para nós, Profeta, Sacerdote e Rei. Utilize o ofício dEle como Profeta [Ap 5:5, Jo 8:12, Sl 119:102-103]. Faça com que Cristo abra não só a Bíblia para você, mas também a sua mente e entendimento [Lc 24:45]

23. Assegure-se de estar sob um verdadeiro ministério da Palavra, que expõe a Palavra fiel e plenamente [Pv 8:34] seja sério e ávido em esperar por isso.

24. Ore para que você tire proveito da leitura [Is 48:17, Sl 119:18, Ne 9:20].

Obstáculos naturais

Você ainda pode poderá beneficiar-se da leitura apesar deles:

1. Você não parece beneficiar-se tanto quanto outros. Lembre-se dos rendimentos diferentes [Mt 13:8] Apesar do rendimento não ser tão expressivo quanto o de outros ainda é um verdadeiro e frutífero rendimento.

2. Você pode sentir-se lento em compreender [Lc 9:45, Hb 5:11].

3. Sua memória é ruim (a) Lembre-se que você ainda pode ter um bom coração apesar disso (b) Você ainda pode lembrar-se das coisas mais importantes mesmo que você não se lembre de tudo, seja encorajado por João 14:26.
Por Thomas Watson | Abreviado e modernizado por Matthew Vogan | puritansermons.com
Tradução: Juliano Heyse | bomcaminho.com