segunda-feira, 3 de maio de 2010

Não se irrite com a Eleição; seja Salvo por Cristo!


Todos os que estavam na sinagoga ficaram furiosos quando ouviram isso. Levantaram-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até o topo da colina sobre a qual fora construída a cidade, a fim de atirá-lo precipício abaixo. Mas Jesus passou por entre eles e retirou-se" (Lc 4.28-30).


"...Parte da irritação existente na mente dos homens de Nazaré foi provocada pela doutrina peculiar pregada pelo Salvador sobre o assunto da eleição.
Acho que, no fundo, esta era a picada dolorosa de toda a questão: ele definiu o direito divino de dispensar seus favores exatamente como queria; e que, ao proceder dessa forma, muitas vezes selecionava os objetos mais inesperados, por exemplo: uma viúva de longe, da região idólatra de Sidom, recebeu o suprimento de suas necessidades durante a fome, ao passo que as viúvas de Israel ficaram sem farinha (1Rs 17); que em outra ocasião, nos tempos de Eliseu, quando Deus quis curar um leproso, deixou morrer leprosos israelitas, mas o leproso proveniente da terra idólatra da Síria, que costumava curvar-se no templo de Rimom, recebeu a cura (2Rs 5). Ora, os ouvintes não gostaram disso, e penso que mesmo na congregação aqui presente, embora estejam razoavelmente acostumados a ouvir declarações contundentes a respeito da soberania de Deus--não nos envergonhamos de pregar a predestinação e a eleição tão claramente quanto pregamos qualquer outra doutrina--, não deixa de haver alguns que se sentem muitíssimo desconfortáveis quando essa doutrina é suscitada, e quase sentem vontade de matar o pregador, por ser essa doutrina muito ofensiva à natureza humana.


Nota-se, em todos os lugares, que o ódio da Igreja de Roma pelo luteranismo não é a metade do que ela sente contra o calvinismo. A doutrina da graça--a alma do calvinismo--é veneno para o papismo; a Igreja Romana não suporta a verdade de que Deus salvará segundo a vontade divina; que ele não confiou a salvação às mãos dos sacerdotes, nem a entregou a nosso mérito ou vontade própria para sermos salvos. Deus é o dono do guarda-jóias da graça, e a distribui a quem quiser. É essa a doutrina que deixa os homens tão zangados, sem saber o que dizer a respeito; no entanto, meu caro ouvinte, espero que esta não seja a razão de sua recusa em crer em Jesus, porque se for, é uma razão bastante estulta, pois embora isso seja a verdade, há ainda outra verdade: "Quem crer em Jesus Cristo, não perecerá". Embora seja verdade que o Senhor terá misericórdia de quem tiver misericórdia, é também verdade que sua vontade é ter misericórdia, e já teve misericórdia da alma que se arrepende de seu pecado e confia em Jesus. Por que levantar suspeitas contra uma verdade simplesmente porque você não consegue entendê-la? Por que resistir ao aguilhão para se ferir, enquanto ele permanece afiado como sempre, e não será removido por pontapés? O propósito do Senhor dos Exércitos é manchar o orgulho da vanglória, e levar ao desprezo a excelência da terra: "Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus" (Rm 9.16). O Senhor fará cair a árvore alta, ressecar a árvore verde e florescer a árvore seca (Ez 17.24), para que nenhuma pessoa se glorie na sua presença, mas que o Senhor seja exaltado.


Curve-se, portanto, diante da graça soberana! Ele não deve ser Rei? Quem mais deve governar senão Deus? E já que ele é Rei, não tem o direito de perdoar o criminoso condenado a morrer, sem dar razão a você? Deixe de lado a questão e as outras pessoas, e venha a Jesus, cujos braços abertos o convidam. Ele diz: "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso" (Mt 11.28). Se você esperar até solucionar todas as dificuldades, jamais virá. Se você recusar a Cristo até compreender todos os mistérios, perecerá nos seus pecados. Venha enquanto o portão está aberto e a lâmpada continua acesa, pois ele disse: "Quem vier a mim eu jamais rejeitarei" (Jo 6.37b)".


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FONTE:: OS MILAGRES DE JESUS - Mensagens de fé, esperança e salvação C. H. Spurgeon reproduzido com autorização da Sheed Publicações pelo Projeto Spurgeon

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